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segunda-feira, maio 27, 2013

Fragmentos

(...) É que o aburguesado não suporta ver-se apartado das elites, seja qual for. Se eu acreditasse nos pecados capitais diria que vários deles são muito gulosos, não por nutrição e por esquecerem-se dos miseráveis que passam fome, mas por não estarem nunca satisfeitos, serem exagerados, demasiadamente demagogos. Querem sempre mais, consumo cultural, intelectual, tudo banal.

***

É sintoma físico. Ultrapassa a alma, penetra a carne, coopta o Eros e transpassa a pele. É chagas ao deitar, pânico ao levantar. Invade, ocupa e hospeda-se sem que peça, atravessa e dispersa. É nó que sufoca, provoca e tira apetite, difícil de desatar. Prende-nos e liberta-nos em ideias, planos e sonhos. É grito sublimado em suspiro, pulsão de vida e morte. Um querer avassalador e finito. É simples apaixonar-se. Um contato íntimo, mesmo que subjetivo, entre o Eu e o Outro.

***


Livre pensar e agir para nossa pequena, quase que insignificante, prática no mundo. Quiçá alçar pelo menos o reconhecimento e conquistar alguns dos frutos daquilo que pretendemos de concreto, pois os sonhos e a ideologia nos saem caros de mais quando um rio já poluído nos trava, mesmo quando almejamos o mesmo destino. Bem dizia Kant, que a liberdade não está dada, ela se constitui em processo. Livre pensar e agir nesse mundo do reconhecimento, atravessado por tantas ideologias que nos travam e nos deixam sem destino.

***

Não toca mais os poros, os pelos, o peito. Toca na rádio, no som, na alma. Soa sino, sua pele, soa a sua melodia, sem que interpele e fale. Escuta-se e sente-se.  

quinta-feira, julho 26, 2012

Amor

Talvez por sabermos e reconhecermos a importância do outro, por um sentimento egoico, por medo de nos vermos sozinhos, por alegrias e angústias vividas, por não termos o vazio ou nos vermos esvaziados, por ter a quem direcionar o carinho que nos falta. Talvez compliquemos o que queremos que não seja simples a ponto de nos parecer imperceptível. Seja o que for, que seja pra ser, quando ser é mais que ter, e apenas ser: amor. 




sexta-feira, setembro 30, 2011

Inconstância

Não é porque não te quero por um momento que não te desejo para a vida inteira. Talvez eu sempre precise de um tempo só meu. Não quero um amor finito a um único tempo, minhas ambições afetivas são atemporais. Meu amor, eu desejo e quero reinventá-lo para que seu tom não seja demasiadamente marcado em mim, pois não quero uma pintura manchada e sim um desenho em cada detalhe, afinal só uma obra de arte fica para a eternidade.
Eu até posso buscar e vislumbrar outras telas, outros corpos, em que eu transcreva e transponha em traços abstratos meus sentimentos, contudo, nenhuma delas será tão completa quanto você. Em nenhum deles haverá espaço suficiente para que eu registre os contornos mais fortes em que os românticos possam se identificar.
Não quero uma obra feita, acabada por suas perspectivas de retoques finais. Eu quero um esboço de amor, um rascunho meu, nosso. Não suponha que um amor diferente seja menor. As medidas de um sentimento jamais serão passíveis de estabelecermos justaposições. E não julgue minhas intenções particulares exclusivas a mim, pois elas são nossas e buscam um amor verdadeiro desvinculado de padrões e projetos de outrem.
Alguém que a vida inteira sonhou, ao encontrar a razão, não poderia deixar de conduzir a fantasia ao real. Por isso, não me cobre mais que o amor verdadeiro, livre, liberto. Eu quero um sonho em carne e osso. E ter, para nós, um amor planejado aos moldes dos outros é o mesmo que ignorarmos sua essência e transformá-lo em cópia. Seria o mesmo que reduzi-lo a inverdade de um sonho inventado. 
Assim, promessas jamais serão condizentes com a liberdade. O amanhã já é muito para garantia de que estaremos presos um ao outro. O amor deve estar salvaguardado hoje, como o carinho e a conquista de agora. Só assim, no futuro, seremos os artistas de nossas próprias telas e poderemos tê-las como nossas.


LINIERS

terça-feira, agosto 02, 2011

Noites


Nada como as noites
Quando descansam os sonhos 
Onde, em algum lugar, debruçam-se os pensamentos

Nada como as noites
Quando se gozam os prazeres
Onde, em algum lugar, se buscam os deleites

Nada como as noites
Quando se avista aquele moicano
Onde, em algum lugar, se dança como se fosse o último tango


Liniers




Liniers


quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Inconstante

"Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo". (Mario Quintana)
"O tempo às vezes é alheio as nossas vontades, mas tudo que é bom só dura o bastante pra se tornar inesquecível". (Charlie Brow Jr.)


sexta-feira, outubro 03, 2008

Sarau

“Nós vivemos a temer o futuro, mas é sempre o passado que nos atropela e mata” (Mario Quintana)
[Assim]
“Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento” (Clarice Lispector)
[Se]
“O futuro só existe na inquietude constante de um presente amiudado. O passado sobrevive numa cela de vidro de um presente que insiste em todo o dia sonhar acordado”. (Bruno Bezerra)
[Pois]
“Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”. (Victor Hugo)

Fábio Ortolano

quarta-feira, setembro 10, 2008

Idéias


As idéias estão sempre guardadas como os brinquedos da infância. Surgem de um passado despertado às 14 horas de um dia qualquer.
A criança é sábia, acorda, pega seu brinquedo e sai cantando de volta pro seu mundo. Ela não pára, pois sabe que embora tudo mude, os sonhos... Os seus sonhos jamais serão obsoletos.

Fábio Ortolano

sábado, julho 26, 2008

Incognita

(...) E eu imaginei que pensar me faria entender. A vida é tão linda assim, uma incognita!

Fábio Ortolano

segunda-feira, abril 21, 2008

Essência

Eu jamais deixarei de ser esse eterno romântico melancólico, carinhoso e amoroso, desastrado e exagerado, triste e alegre, inseguro e impulsivo que não para de sonhar.
Posso até me adaptar e mudar algumas atitudes, porém a essência será sempre a mesma. Já que sorrir e chorar são constantes em nossas vidas, que sejam por motivos nobres, por nós mesmos e pelos nossos sonhos.
Pode ser que, por momentos, eu me perca nas desilusões da vida e assim, me esqueça de meus ideais, mas nunca, nunca estarei assim pra sempre.

Fábio Ortolano

quinta-feira, março 06, 2008

Fraquezas

Talvez eu nunca esteja forte o bastante para esconder minhas fraquezas. Pode ser que eu nunca me torne maduro o suficiente para controlar meus sentimentos, pois sempre haverá a constante dolorosa do erro presente em nossas ações na busca pelo acerto.
Nesses dias em que tudo dá errado sinto uma inútil vontade de permanecer em sono profundo. Eu luto por certezas que nem eu mesmo acredito serem válidas, as tantas verdades que por hora me julgo o dono, em certos momentos me deixam a sensação de que nada sei.

Fábio Ortolano

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Falados os segredos calam*



O que nos é mais importante e essencial: Estar de olhos bem abertos ou permanecermos míopes diante desse universo que nos afronta?
Eu realmente não saberia dizer e tão pouco sei se desejo essa resposta.
De que vale a verdade de um mundo em que os sonhos são apenas fantasias acariciadas pelo travesseiro. Assim é melhor continuar dormindo, no entanto, permanecer alienado no planeta das ilusões pode ser a vivência de uma história irreal.
As tantas incertezas aos poucos me revelam parte do mistério de minha existência. Estou voltando aos meus e o sol começara a brilhar novamente. Sinto que novos raios aquecerão minhas manhãs arrefecidas pelas angústias de outrora.

Fábio Ortolano

*O título é um trecho de uma música dos TRIBALISTAS


- GuArUjA, sEgUrA aS oNdAs E tRaGa O sOl QuE a gEnTe Ta DeScEnDo! FrIeNdS FoReVeR nA pRaIa. Yupi Yupi Yupiiiiiiii \o/

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Meus dias


O silêncio guarda sozinho o anseio de dizer as tantas palavras reprimidas. E estar sempre em abstenção da fala é um sinal de angústia, desespero e desejo de gritar o mais alto possível à grandeza de um segredo contido.
Seu oposto, o ato de exprimir compulsivamente tudo que se sente, é também mais uma forma de oprimir essa agonia que domina os pensamentos e mentes insanas. Assim, falar de mais nos denuncia o medo de permanecermos imperceptíveis.
E assim tem sido meus dias, cobertos de silêncios e intensas conversas, corroendo tudo que sou e sei até agora. Hoje minha maior verdade é a incerteza, e eu, sempre tão sábio de mim mal me reconheço ao olhar-me no espelho.
As palavras, códigos subjetivos, tomam conta de toda minha essência e a cada dia estou mais próximo de mim e distante de tudo e todos à minha volta, talvez dessa forma eu volte a me compreender.


Fábio Ortolano

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Muito mais do que mereço

Não te mereço, já que sempre te olhei com paixão.
Não te mereço, pois teu cheiro me embriagava de tanto querer.
Não te mereço, pois em tão pouco tempo eu te queria pra vida inteira.
Não te mereço, já que sempre me magoava.
Não te mereço, por que até tua voz me soava como música.
Não te mereço, se teu orgulho ultrapassava qualquer sentimento por mim.
Não te mereço, por que meus sonhos eram de menino.
Não te mereço, pois desejava te levar, na cama, o café, te dar banho e fazer cafuné.
Não te mereço, por que ninguém te abraçará como eu te enlaçava.
Não te mereço, pois nada te acalmará tanto quanto meu calor em teus lençóis.
Não te mereço, já que sempre fui sincero.
Não te mereço, se em todas as músicas eu só via você.
Não te mereço, se até no meu chamar eu dizia que te amava.
Não te mereço, já que deixava tudo para estar do teu lado.
Não te mereço, se até besteira eu faria pra não te ver chateado.
Não te mereço, pois morria de ciúmes de ti.
Não te mereço, já que em certas horas nem me notava.
Não te mereço, por que ninguém te beijará o rosto e tocará tuas mãos com tanto carinho, como eu.
Não te mereço, se tão pouca consideração tinha por mim.
Não te mereço, por carregar tamanho apresso por ti.
Não te mereço, pois ninguém mais sonhará da forma que eu sonhei contigo.
Não te mereço, por que eu esperava que nossa história fosse mágica pra sempre.
Não te mereço, por que te amei mesmo vendo tua escuridão.
Não te mereço, por que eu sempre tive orgulho de falar de ti para as pessoas que mais gostava.
Não te mereço, se quisestes me dar um amor bandido.
Não te mereço, pois eu queria dançar, cantar e contracenar contigo.
Não te mereço, já que ninguém fará poesias pra ti, como eu.
Não te mereço, por que em todos os momentos eu confiei e acreditei em ti.
Não te mereço, se teu perfume inebriante aguçava meus sentidos.
Não te mereço, ja que tua carne, pele e pêlos me encarceravam de tantos desejos.
Não te mereço, se eu só enxergava sua inteligência, força e determinação.
Não te mereço, pois até nas ultimas linhas da nossa historia você desejou me ferir.
Não te mereço, se eu te beijava a orelha e esperava teus gemidos.
Não te mereço, se ninguém mais olhará ti como eu te olhava.
Não te mereço, pois nenhuma pupíla dilatará como a minha, quando te vi pela primeira vez.
Não te mereço, por que foi meu primeiro amor e nunca te esquecerei.
Não te mereço, por que mesmo assim eu te deixei.
Não te mereço, se pra ti, mesmo sabendo do meu amor, só importava o ponto final.

Fábio Ortolano