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domingo, fevereiro 13, 2011

Hoje em dia

Não há nada como os dias em moratória. É como gestar uma semente que talvez nunca tenha sido fecunda. É crer numa dolorosa esperança de que haverá boas novas mudando o percurso do trem, chegando a todos os pequenos castelos vistos debruçado num travesseiro. E o caminho não parece fácil, pois esperar por certezas que podem nunca chegar é como estar num porto sem saber que navio embarcar.  

quinta-feira, julho 08, 2010

TIC-TAC

"A angústia está no domínio do tempo, absoluto, kronus, que nos prende entre os ponteiros, ângulos e graus. É um tema já esgarçado na história, mas diante da conjuntura, vem a necessidade de fazer uma hora extra..."
(Leandro R. Carneiro)

"A vida é (ul)traje
sob medida
O Tempo passa
Faz-se o remendo
Vai-se vivendo"
(Líria Porto)

Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac

segunda-feira, maio 17, 2010

Paixão


Engana-se aquele que pensa ser esse esboço de pensamento mais um texto dos melancólicos e prisioneiros do amor carnal e materializado das relações humanas. O texto que segue é apenas a tradução de um sentimento provido de desejos, sonhos, buscas, vivências e reflexões. É a impressão viva, a perturbação de um ânimo que por dias se mostrava em repouso.
E assim entende-se a trégua vista nesse espaço, pois a ausência do desconforto frente à existência nos faz mudos. E calar-se é acatar qualquer ação ou experiência que lhe chegue. É estar intacto e descrente de si. É projetar no outro ou num fato todas as circunstâncias da experiência humana e pessoal. É, portanto, negar-se a si mesmo.
O retorno, sem tempo e momento está sempre pronto para acontecer. A inquietação é o que transforma os que a sente e seus contextos, tornando-os conhecidos nas palavras, que no presente texto expressas, revelam acima de qualquer coisa o desejo de ver pra si o sentido da existência.

domingo, janeiro 21, 2007

“Quer romance? Compre um livro!”

“Quer romance? Compre um livro!”

Será mesmo que os romances saciam os desejos de um romântico? Pra mim, podem até oferecer prazer ao leitor, porém nada é como a própria estória. Aliás, do que são feitos os livros, contos e crônicas, a não ser sobre as experiências humanas. Muitas vezes os autores projetam seus sonhos em palavras. E ler é uma viagem que almejamos fazer.
Assim, infeliz é o sujeito que se priva das simples e grandes emoções. A vida precisa ser vivida intensamente. Cheia de sentimentos, dramas, conflitos, prazeres, derrotas e conquistas. Só assim valerá a pena.
Ao contrário disso, a pós-modernidade é marcada pelo instantâneo, fazemos tudo às pressas, mal sentimos o sabor da vida. Os pratos são colocados à mesa e as pessoas comem sentadas no sofá vendo a Televisão. Os casais atropelam carícias, momentos de sensualidade. Queremos sempre chegar logo ao fim. Simplesmente matamos a fome e satisfazemos os instintos animalescos.
Por isso o livro não me basta, não quero satisfazer meus desejos através de uma personagem. Espero viver tudo intensamente, sem pular etapas, apreciando minuciosamente cada instante.


Fábio Ortolano