sábado, outubro 30, 2010

Com quem você concorda?

Um universitário encaminha um email à lista virtual denominada “ME UFSCar”:

“Numa boa, cada vez mais me decepciono com os civis... Honra, honestidade, competência... soam como palavrões para a maioria de vocês.... Exigir experiência de alguém para governar é um insulto... Exigir ficha limpa então, sacrilégio... Exigir firmeza e clareza de suas idéias a respeito de determinados assuntos....desnecessário.

O orgulho e o amor à imagem do proletariado que se revolta contra o burguês e vence, o Davi batendo no Golias, PT dos Pobres VS PSDB dos ricos, se não fosse o retrato de um analfabetismo funcional como nunca se viu igual no Brasil, seria até hilário...

Sei lá, a culpa deve ser do meu pai viu, que me ensinou (às vezes na porrada), que roubar, DEIXAR ROUBAR PRINCIPALMENTE, SER OMISSO, não são coisas dignas de seres humanos que sequer merecem estar no mesmo espaço físico que o nosso, quanto mais se candidatarem e serem eleitos...

A discussão sobre os candidatos transcende o lado político para os Brasileiros, reflete o sentimento revanchista, o lado do jeitinho brasileiro (sem-vergonhice e preguiça), o amor à imagem de um presidente amado, e principalmente... À FALTA DE VALORES ÉTICOS, DE FAMILIA E RELIGIAO QUE NOSSA SOCIEDADE VIVE HOJE EM DIA. "Voto em ladrão, mas ele vê o meu lado, me dá esmola, melhora minha vida...".

Contra isso, só Deus pode lutar e mudar suas cabeças, o que me conforta é saber que o Brasil está saturado de pessoas assim como vocês, sem iniciativa, mormente, e que a policia federal esta cada vez mais atenta às fraudes dos concursos públicos, pois enquanto vocês se contentam com migalhas, pessoas informadas e esforçadas se destacam em suas vidas, continuem assim, elegendo artistas, reclamando da m... Que fizeram nas eleições e ficando indignadas quando vêem no jornal cuecas com dinheiro... É cômodo não é?

Realmente... CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE.... Desculpem, mas hoje em dia ser viado é que é ser legal, fumar maconha é que é bom, votar em marginal é ser liberal, abortar criança porque fez merda... normal.

A bandeira que eu juro todo dia já deve ser pano de chão, nem o HINO NACIONAL a maioria de vocês sabem inteiro, e, pasmem, em caso de guerra, eu tenho que me armar e defender pessoas como vocês, eleitores preguiçosos e civis sem compromisso algum com seu país, votando em TIRIRICA...É DE MORRER! Eu é que estou vivendo no país errado, fiquem bem aqui, eu saio ok?



(Peço a gentileza de não me mandarem nem repassarem nenhum email relacionado aos assuntos de eleição, ética ou moral ok? Mesmo porque deletarei sem ler, já li tudo o que precisava para fazer meus julgamentos. Votem em quem quizerem, dizem que Deus é brasileiro não e? Tomara que seja mesmo...)”. (Autor desconhecido)



A RESPOSTA, de um colega:



“Opa!



Geralmente não opino nessa lista do ME UFSCar, mas esse último email me incomodou um bocado. Pelo texto eu duvido MUITO que seja de autoria do Euzébio, acho que a fonte ficou cortada quando ele mandou tudo pra lista.... Espero que o dono desse email receba minha resposta. De qualquer maneira, respondo, mesmo que ao vento.

Bom não posso ocultar minha surpresa: Gente, qq foi esse último email? Estão erguendo o fascio novamente? Esse discurso de "FALTA DE VALORES ÉTICOS, DE FAMILIA E RELIGIAO QUE NOSSA SOCIEDADE VIVE HOJE EM DIA...." parece ter saído direto da diretoria da TFP. Vamos primeiro falar dos partidos e candidatos e da minha opinião sobre eles, depois falo do conteúdo ideológico sinistro por trás desse email.

Olha militar anônimo (te chamo de militar por falar entusiasticamente de hinos, bandeiras, em defender com armas..) eu sei que ambos os candidatos estão sujos de lama. Se alguém realmente quer eleger gente limpa no segundo turno, eu sugiro que vote nulo/branco. O PT e seus aliados, bom, nem precisamos falar que estão com lama até o pescoço. Mas o PSDB não está incólume não. Só pra citar um caso mais conhecido, o próprio José Serra é suspeito de ter participado do escândalo das sanguessugas de 2006, onde havia desvio de dinheiro da saúde para compra de ambulâncias com licitações fraudadas. Esse esquema foi descoberto em 2006, governo do PT, mas sabe-se que ele ocorreu também no governo de FHC no qual Serra foi Ministro da Saúde. Leiam a reportagem:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u83162.shtml E não esqueça do mensalinho do DEM.

Eu concordo que é um absurdo assistir calado a roubalheira dos nossos queridos representantes, mas tem gente suja dos dois lados.Odeio defender o PT nessa caso, mas tentar dizer que é só o PT que é corrupto é uma inverdade.

Acho que roubalheira por roubalheira, e pessoa por pessoa, eu voto por alinhamento político.

Ainda não me decidi se vou votar nulo ou 13, mas sempre tive tendências à esquerda, e pela história e ideologia dos dois partidos, sei que o PSDB, por mais que tenha seu canditato à presidência abraçando gente do proletariado na propaganda eleitoral, se apresenta abertamente como neoliberal. E em neoliberal eu tento nunca votar. Pra quem não sabe, os principais pilares do neoliberalismo são:

1- Estado Mínimo e

2- A economia de livre mercado, ou seja, capitalismo selvagem globalizado.

Sou totalmente contra o Estado mínimo, e acredito que pago impostos para que eles sejam revertidos para todos, sem lucros imbutidos (leia-se sem privatização de setor nenhum).

Com a liberalização da economia, o laissez-faire (deixe-nos em paz, diziam os burgueses ao Estado), tivemos aumento progressivo da miséria no mundo, com a globalização das dívidas dos subdeselvolvidos e a predação dos recursos e mão de obra pelos países ricos. Só pra se ter um dado, "No mundo, de 1981–2005, o número total de pessoas vivendo com renda abaixo de US$2 por dia aumentou mundialmente de 56 milhões para 2.6 bilhões" (WISE-ONU).

Infelizmente a política econômica do PT também está pra lá de neoliberal, mas a parte social e da educação foram mais priorizadas que nas gestões do PSDB, principalmente nas questões agrárias e educacionais.

Claro que os projetos do PT pro ensino superior (PROUNI, REUNI, etc.) ainda são de tampar o Sol com a peneira, muito mais foi investido na educação superior do que nos governos PSDB.

Para dar um exemplo de má gestão na área da educação pelo PSDB, podemos citar o estado triste da educação nas escolas estaduais após quatro gestões do PSDB no estado de SP. O próprio Paulo Renato, que é o secretário da educação de SP admite em seu blog à Folha que o sistema progressão continuada deu errado (http://www.paulorenatosouza.com.br/imprensanoticia.asp?id=88). Virou um sistema de aprovação automática que forma sei la o que. E mais, o desempenho das escolas estaduais está abaixo do das municipais http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/escolas+estaduais+tem+desempenho+pior+do+que+municipais/n1237636461861.html

Além disso esse governo do estado é muito democrático e dialoga com a classe dos professores, como pudemos ver na greve dos professores estaduais (que aliás ganham 764 reais por 30h de aula semanal) que foi reprimida na base da porrada.

Qual é carro chefe do projeto de Serra para a educação superior? FATEC. É isso que queremos? Técnicos? Só o alto escalão merece ensino superior mais crítico? Sucateamento pras universidades? FHC não construiu NENHUMA.

Na questão ambiental ambos os partidos vão mal, principalmente devido às obras do PAC (PT) com seus queridos licenciamentos ambientais sendo lavrados a toque de caixa por cima de qq questao ambiental e social, e à alteração GROTESCA (proposta para o código florestal brasileiro (sério, leiam sobre isso) e apoiado massivamente pela picaretíssima Bancada Ruralista presidida por Kátia Abreu do DEM.

Infelizmente também os 2 partidos priorizam o agronegócio como carro-chefe da economia nacional, mas o PT ofereceu um pouco mais de subsídio para o pequeno agricultor e o assentado, e o Eusébio e o pessoal do GEQA podem dizer bem o quanto de suor e sangue foram derramados pra cada conquista que os sem terra conseguiram com o atual governo.

O 'agribusiness' só privilegia a elite, que exporta sua mercadoria para atender massivamente ao mercado internacional, desrespeita amargamente o meio ambiente com monoculturas insustentáveis e explora ou desemprega o trabalhador do campo.

As privatizações também não ocorreram como na gestão PSDB(que aliás foi responsável pela política de concessões de petróleo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_do_Petr%C3%B3leo)

Agora falando mais a respeito dos candidatos em sí:

Experiência: Eu não sei quanto a você, mas acho que presidente não governa sozinho não. Eles precisam do apoio de boa parte do legislativo pra fazer algo acontecer, com exceção da Medida Provisória. Ter experiência portanto não vai levar presidente a fazer nenhum milagre.

Bom, acho que já justifiquei meu possível voto. Agora vamos ao resto do seu email que nada teve a ver com os dois partidos, e sim com suas crenças:

Que história é essa de ter que saber o hino nacional!? Eu acho o hino nacional uma MERDA. É um conjunto de mentiras ufanistas deslavadas escritas de maneira parnasiana, principalmente a primeira parte. A começar por dizer que o grito da independência foi um brado retumbante de um povo heróico, por favor. Quem estudou história sabe que nossa independência foi COMPRADA de Portugal (pagamos pra que Portugal nos reconhecesse independentes) e isso gerou uma das primeiras dívidas externas do nosso país.

Não conquistamos o 'penhor da liberdade' com braço forte nenhum. Não conseguimos a independência por revolução como nossos colegas da America latina.

Nossa bandeira também é uma vergonha. Suas cores e formatos nada mais são que reformulações de cores e formas das dinastias de Habsburgo (D. Leopoldina) e Bragança (D. Pedro II), da coroa Portuguesa. Não tem nada de verde das matas e amarelo do ouro.

E por favor, eu sou ateu e me sinto ofendido quando falam que só com valores eticos, de família e religião que tudo vai melhorar. Eu não tenho religião e sou muito ético, não acredito que alguém precise de religião pra ser humano, ser amável, respeitar o próximo e submeter-se às leis. Não preciso de Deus nenhum pra lutar por mim e mudar minha cabeça. As pessoas que tem supostamente Deus na cabeça no Legislativo estão envolvidas até o pescoço em corrupção (leia-se a bancada evangélica no escândalo das sanguessugas). Acredito que é com educação crítica que se empodera um ser humano para agir sobre si e sobre a história. É assim e não com doutrinamento religioso que acredito que as coisas podem mudar. Inclusive José Serra vive se valendo de campanha religiosa pra tentar agradar o 'povo de Deus', mas acho isso uma sem vergonhice, principalmente em um Estado LAICO. Leiam o manifesto da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (http://www.brasilianasorg.com.br/blog/luisnassif/o-manifesto-dos-ateus) que ele explica extensamente quão perverso é se valer disso pra se eleger.

Quanto ao aborto, eu sou A FAVOR DA DESCRIMINALIZAÇÃO SIM. O aborto é a 1ª causa de morte materna em Salvador-BA e nos outros estados do Brasil é a 3ª ou a 4ª. 1 em cada 5 mulheres de 40 anos já fez aborto, e a cirurgia de curetragem depois de aborto é a mais realizada pelo SUS. Como você pode ver, o aborto é problema ENORME para a saúde pública.. Milhões de brasileiras já morreram vítima da falsa moral religiosa. Movimentos pró-vida deveriam preocupar-se também com a vida das centenas de milhares de mulheres que estão morrendo todo ano. A causa de morte destas mulheres deve-se à má assistência dada a elas, em abortos malfeitos em condições inseguras. Quantas vidas mais teremos que perder para que as pessoas encherguem a questão???

Ninguém faz aborto porque gosta, é um processo traumático para a mulher, o que leva à conclusão também de que é necessário um acompanhamento psicológico antes de depois do processo, portanto mais um motivo para descriminalizá-lo. Só com atendimento sério, em escala nacional e pública (SUS) que podemos resolver este problema.

E por fim (Nossa, não dava pra ter escrito menos, me desculpem)



"Desculpem, mas hj em dia ser viado é que é ser legal, fumar maconha é que é bom, votar em marginal é ser liberal, abortar criança porque fez merda... normal..."



Desculpe-me, mas suas idéias se tomadas como um todo, são o solo fértil para que qualquer ditadura floresça, com ênfase à nazi-fascista, que incluía o extermínio de homossexuais e a prevalescência da ' boa moral cristã'.



3 coisas:

1- Assumir para sí outro gênero ou comportamento referente à sexualidade só diz respeito à pessoa que fez a escolha. Deixe de ser preconceituoso, são comentários como o seu que destroem anos de luta por igualdade de grupos oprimidos.

2- 'Fumar machona é que é bom'... Cara, se maconha não fosse proibida e não gerasse o problema social e econômico do tráfico, eu fumaria tranquilamente. Beber então é que é legal? Fumar cigarro? Que drogas licitar você usa?

3 - Acho que ser liberal em geral tem a ver com liberalismo, que é uma posição econômica/política. Votando em marginais ou em magnatas, infelizmente na nossa sociedade é 99% de certeza de estar sendo liberal, porque geralmente é esse o posicionamento político da maioria.

Espero toda a minha argumentação tenha te feito pensar sobre o que você escreveu aqui. Peço desculpas novamente ao pessoal da lista, mas realmente esse email me revoltou e tinha que botar a boca no trombone. Que ele valha pelos outros tantos emails que não enviei”. (Marcos A. Bonamico)

Apenas uma colocação: Não há neutralidade política a qualquer indivíduo, mesmo indiferente ele já faz uma opção e escolhe que governem e falem por sí. Não estar disposto a discutir é a prova da ausencia de cidadânia.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Incomodo

José está cansado. 40 anos de idade, estudou até o ensino médio e acorda todos os dias para trabalhar num condomínio onde faz a segurança. Aos finais de semana faz uns bicos em frente uma casa noturna para complementar sua renda. Para cada carro estacionado na rua XV de novembro ele ganha o suficiente para compra sua refeição diária. Ele poderia viver disso se não fosse obrigado ceder uma porcentagem ao estabelecimento. Todo final de semana, por conta de sua função, encontra seus compatriotas, escravos de luxo de um sistema que os obriga a trabalhar, sem suar, e a pagar por um espaço que é público. Pagam por estacionar o carro em via pública, e mais, pelo conforto da garantia criada. Pois tão fictícia quanto o perigo, revela-se a segurança.  Não é possível questionar.

Joceli está cansada. Estudante universitária de 23 anos cursa administração e trabalha na rodoviária da cidade onde reside. Em todos os dias da semana, exceto aos domingos, entra às 08h e sai às 18h. Ela é responsável por dar informações, atender e responder pelas dúvidas dos usuários do espaço, que embora público, cobra uma taxa de embarque por passageiro equivalente ou superior ao valor de dez pãezinhos. Certamente os usuários deveriam saber dos benefícios atrelados ao considerável montante pago à concessionária da maior cidade interiorana de São Paulo, já que nem para suas necessidades básicas podem usar o espaço sem desembolsar mais dinheiro. Perguntemos à Joceli. Ela não sabe! Ela, que está para informar, não sabe! Não é possível questionar.

João está cansado. Tem 22 anos, é estudante universitário, não trabalha e depende do auxilio dos pais. Acredita que as campanhas eleitorais estão muito além de piadas fora do espaço circense e que revelam a ignorância de um povo. Mostram também o descaso e falta de compromisso com a ética dos representantes e candidatos a lideranças públicas, a afronta aos ideais pessoais e também o desrespeito a diversidade de opiniões e experiências de vida humana. Ele não está satisfeito com o sistema em que vive, mas corrobora para sua existência. Não acredita no opressor, mas faz uso do discurso dele. Não é possível questionar.
Bom seria se todos estivessem incomodados e que, assim, usassem desse incomodo como ferramenta de motivação para sua militância, sem dimensões de valores ou relevância. O José, a Joceli e o João precisam questionar.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Neném

Aos meus olhos o bebê guarda uma doçura própria, uma autenticidade e um gracejo que nem requer um receptor apaixonado que se encante. O neném é único, digno de um amor puro e gratuito, que qualquer ser humano de bom coração daria, simplesmente por um sorriso ou qualquer verdade vista na expressão da miniatura mais cativante que pode-se conhecer. 

sábado, setembro 04, 2010

(...) e lá estavam elas.

(...) e lá estavam elas. O roxo ou vermelho, o laranja ou o azul, o verde ou o amarelo? Qual é a cor que lhes traduz? Não importa, só bastava que elas estivessem lá. E elas estavam.
Estavam lá, pois o movimento, não só se completa, mas se configura a partir delas. Elas não estão apenas nas ruas mostrando seus peitos, elas estavam lá! E mesmo que estivessem mostrando os mamilos é porque são as donas de seus corpos.
Elas esbanjam o domínio de si, chocam os desprovidos da razão e do autoconhecimento. Quem dera todos tivessem a coragem, imponência e irreverência em expressar suas sexualidades como elas.
Embora tentem silenciá-las, elas gritam, lutam todos os dias. E para os covardes elas têm a Gillette, comumente reconhecida apenas como lâmina de barbear. São sábias, fazem do utensílio sua arma, desarmando qualquer barbado desprovido da força que só elas, as travestis, têm.

domingo, agosto 15, 2010

24H DE COMBATE À HOMOFOBIA



Incentivados pelos recentes casos de homofobia, como o assassinato do adolescente Alexandre Ivo, de apenas 14 anos, na cidade de São Gonçalo no Rio de Janeiro, e pelos avanços nas legislações de Uruguay e Argentina, um grupo de defensores de direitos humanos se reúne em Brasília para lançar a campanha "24 Horas de Combate à Homofobia", um movimento virtual de conscientização política, com o intuito de provocar a discussão a respeito dessa temática.

No dia 18 de setembro será realizado um evento cultural de 24 horas com shows musicais, esquetes teatrais, exposição de fotos e vídeos, bate-papo com políticos, além de uma festa para expor toda a diversidade de nossa sociedade. Horas com shows musicais, esquetes teatrais, exposição de fotos e vídeos, bate-papo com políticos, além de uma festa para expor toda a diversidade de nossa sociedade.

A idéia é que, durante as 24 horas desse dia, as pessoas doem seu tempo para a realização de ações que mobilizem pessoas, multipliquem informações, sensibilizem a sociedade para uma incidência política mais concreta no combate à homofobia e a promoção da equidade de direitos.

COMO DOAR 24H AO COMBATE À HOMOFOBIA
1. Organize um evento ao ar livre em sua cidade, com debates, oficinas e discussões;
2. Prepare uma palestra para apresentar em seu local de trabalho;
3. Poste informações sobre o tema em seus perfis sociais;
4. Faça um levantamento dos candidatos que apóiam a cidadania com ações voltadas para a população LGBT e envie para a sua lista de emails;
5. Faça um depoimento em vídeo e envie para contato@24horasdecombateahomofobia;
6. A cada hora do dia, recrute ao menos um@ amig@ para divulgar a Campanha 24h de Combate à Homofobia;
7. Envie emails para @s polític@s exigindo que apóiem a cidadania LGBT;
8. Assine o abaixo-assinado a favor do PLC 122/2006 no site http://www.abglt.org.br/
9. Faça cartaz, flyer, banner, pôster com dizeres como "Por um estado verdadeiramente laico", "Homofobia é Crime", "Eu apoio a cidadania LGBT" e espalhe pela sua cidade e redes sociais na internet
10. Organize uma passeata.

Fonte: http://www.24horasdecombateahomofobia.com.br/

sábado, agosto 14, 2010

Brazil is Calling You

José

José1960 - ANTOLOGIA POÉTICA

Carlos Crummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...

Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

terça-feira, julho 20, 2010

Dia dos amigos

As cheias trazem águas à terra que há tempos permanecia seca. Eu me prendo, me liberto.
São tantas coisas que aproximam e fazem com que pessoas se identifiquem a ponto de constituírem laços de uma amizade verdadeira, sem qualquer outra definição, apenas verdadeira.
A amizade não tem códigos genéticos ou instituições que lhe faça jus a importância. Ela é pronta, própria, justa a qualquer um.
Caro amigo, como é boa a experiência do sentimento de cumplicidade. Estou feliz pelas novas que me trouxeste. Desejo a vocês todas as conquistas e carinho que se possa trocar entre mãe e filho.

segunda-feira, julho 19, 2010

Me leve pela música

Não importa até quando tocará
Se pra sempre, ontem, todo dia
Eu só sei que assim sempre será
Uma após outra, intensamente, a melhor melodia
Não quero escolher a melhor nota, tão pouco o vocal
Deixe que o som toque, que eu quero replay
E nos leve até onde e quando pudermos estar juntos
Não cabe, agora, compreender a letra
O som já nos vale por uma vida inteira
As trilhas estão além do eterno enquanto dure
Então, me leve pela música

Fábio Ortolano

***
d-.-b : Monday - Carlo Dall' Anese

quarta-feira, julho 14, 2010

14 de julho

Responsável pela alegria e ansiedade de meus últimos dias
Amável certamente é o adjetivo que mais lhe exprime
Findado os compromissos é sua companhia que conforta
Alegrar-me-ia em tê-lo para todo o sempre
Em um destino sem tempo pela frente
Lamentar-me-ia não vê-lo ao meu lado quando desejado

Mais que companheiro, na minha história, já marcado
Eu que de tanto querer alguém como você
Desejo receber apenas e tão somente o que merecer
Exatamente o limite e dimensão que escolhermos pra nós
Imagino-te, assim, além das horas que me vem somando
Reproduzo-te numa conjuntura em que sempre estarei te amando
Onde, quando, como estaremos amanhã não importa
Sendo o carinho já perpétuo

Ludibriado fico ao ver teu sorriso
Os traços mais belos e afetuosos que pude presenciar
Bastar-me-ia notar-te debaixo dos meus lençóis
Onde, todos os dias, conforto-me em viver.

domingo, julho 11, 2010

Sim, eu já nasci velho

Cara tia Zú, seu legado a mim está entregue.
Vislumbrar o futuro, sonhar com o amanhã está muito além do que os dias nos trarão. O pretérito é belo e atraente, é mais que perfeito, mesmo que imperfeito.
Antiquado, aos olhos dos outros, pode ser, mas cá pra nós, cada um tem seu jeito de perceber. Pois, sem notar, sabemos que a mobília antiga é mais que utensílio, é cenário.

quinta-feira, julho 08, 2010

TIC-TAC

"A angústia está no domínio do tempo, absoluto, kronus, que nos prende entre os ponteiros, ângulos e graus. É um tema já esgarçado na história, mas diante da conjuntura, vem a necessidade de fazer uma hora extra..."
(Leandro R. Carneiro)

"A vida é (ul)traje
sob medida
O Tempo passa
Faz-se o remendo
Vai-se vivendo"
(Líria Porto)

Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac

segunda-feira, maio 17, 2010

Paixão


Engana-se aquele que pensa ser esse esboço de pensamento mais um texto dos melancólicos e prisioneiros do amor carnal e materializado das relações humanas. O texto que segue é apenas a tradução de um sentimento provido de desejos, sonhos, buscas, vivências e reflexões. É a impressão viva, a perturbação de um ânimo que por dias se mostrava em repouso.
E assim entende-se a trégua vista nesse espaço, pois a ausência do desconforto frente à existência nos faz mudos. E calar-se é acatar qualquer ação ou experiência que lhe chegue. É estar intacto e descrente de si. É projetar no outro ou num fato todas as circunstâncias da experiência humana e pessoal. É, portanto, negar-se a si mesmo.
O retorno, sem tempo e momento está sempre pronto para acontecer. A inquietação é o que transforma os que a sente e seus contextos, tornando-os conhecidos nas palavras, que no presente texto expressas, revelam acima de qualquer coisa o desejo de ver pra si o sentido da existência.

domingo, fevereiro 07, 2010

Será que ainda haverá um tempo oportuno?

As rodas giram, rodam e correm. Trazem o vento e o horizonte mais próximo. Queria que me trouxessem o que vejo à frente e ficou pra trás. Dois anos passam e não sei mais se haverá um tempo oportuno. Talvez eu chegue lá com as palavras contidas e, surpreso, note que sempre houve um sim. Ou perceba que as trilhas de bicicleta sempre foram o melhor caminho.
_
d-_-b : Lie to me - Shane Mack

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Um povo sem culpa

Um povo sempre munido de uma certeza disfarçada na fé cega que não exige qualquer lógica ou prova, pois o bom Deus sabe o que faz, cuida do “nós”, faz o bem, julga os mortais, mostra o caminho, traz a verdade. Sim, que seja feita a vontade do pai, já que o filho será sempre imaturo para responder e assumir sua liberdade, e assim, incapaz de ser o espírito santo.
Um povo acomodado a crítica rasa e na esperança de utopias já gastas pelo tempo. Indignado com a corrupção, falta de caráter das autoridades e líderes governamentais. O desejo de transformação e de um melhor termina na aclamação de ideais. Certamente haverá Che Guevara, Gandhi, Luther King, pois os heróis, figuras que de forma excepcional mudam o mundo, viverão pelo coletivo, e assim, os livrará do fardo.

sexta-feira, novembro 20, 2009

A favor do PLC 122/2006

“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?"

A central de relacionamentos do senado brasileiro lançou a enquete acima para saber a opinião pública sobre o projeto de lei 122/2006 que pune a discriminação contra homossexuais.

Pasmem! Grupos evangélicos, estimulados pela bancada religiosa e conservadora do senado, estão votando contra o projeto de lei, com o argumento da “liberdade de expressão e religiosa”. Alguns pastores evangélicos estão em campanhas contra o PCL 122.

Ora, não importa o respeito, o direito a cidadania, a violência presente nos discursos, a discriminação, (...)?

Será que a liberdade de expressão e ideológica não tem limites na experiência humana, haja vista as conseqüências do nazismo?
PELO ESTADO LAICO DE FATO!!!


sexta-feira, outubro 30, 2009

Política Líquido-moderna



“A política se torna basicamente um exercício de autoterapia individual, uma realização individual, não um esforço voltado à construção de um movimento”. (Thomas Frank apud Zygmunt Bauman)



sexta-feira, outubro 09, 2009

Quase sempre há continuação

Não são os obstáculos, os imprevistos ou a covardia que nos limitam a permanecemos atônitos e indiferentes onde estamos, mas descrença de se chegar à algum lugar. Ontem, me dei conta que a música nunca teria ou terá efeito aos surdos. Já não vale cantá-la ou gritá-la num cenário hostil. Resta agora, encontrar um ofício que me faça valer a esperança proclamada.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Meu nome é Léolo

Quando criança vivia uma realidade inventada. Os sonhos, seus principais e mais fiéis companheiros, guiavam seus dias sem sol. Imaginava a todo tempo uma história que não era sua. O cenário, sua casa, os atores, seu espelho, o romance, sua imaginação.
Nesse mundo, mesmo sem amigos, sem armário cheio, sem o modelo familiar, nada lhe faltava. Seu desejo de sobrevivência ultrapassava os limites do consciente, pois ele precisava acreditar nas mentiras que eram as poucas verdades que lhe mantinha vivo.
E numa viagem tudo muda. Os sonhos deixam de ser apenas as inverdades de outrora. Então, Léolo, o criador de sonhos, entra num futuro diferente do passado. A esperança, que antes aparecia transvertida de mentira, mostra sua face. E até onde se lê do enredo ela permanecerá junto a ele para todo o sempre.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Ora, que democracia???

Como se não bastasse a disparidade de poder no atendimento de interesses dentro das universidades públicas, espaços dito democráticos, o corpo hegemônico ainda tenta nos excluir das principais decisões.
O sistema democrático prevê uma doutrina e regime político baseado nos princípios da soberania popular. Assim, buscando atender as demandas de sua comunidade, os gestores públicos deveriam não apenas consultá-la, mas fazer com que a mesma fosse participativa nas suas decisões. Essa comunidade, co-autora das ações, efetivaria e legitimaria um sistema democrático, público e não privado. O que na prática não é visto.
Protesto pela legitimidade do sistema democrático, pelos interesses públicos e não privados. Reclamo a vergonha da hegemonia de poder dentro das universidades públicas.

sábado, agosto 01, 2009

Nomadismo Estratégico

Minhas ações e objetivos são frutos do meu passado e também produtos do momento em que vivo. A realidade que me constitui é diferente a cada dia. Amanhã já serei outro, assim como meus ideais.

Do que seriam os sonhos se fossem apenas alguns poucos, sonhados por uma vida inteira?

segunda-feira, julho 20, 2009

Paradas LGBT e idealISMOS


Sob a perspectiva de entendermos o capitalismo como um fenômeno e sistema social, concordo com a idéia de que a discriminação de gênero seja determinada pela relação de produção da sociedade capitalista, bem como com todas as outras opressões conseqüentes dos padrões hegemônicos de poder. E a de fato “minoria” – (HOMENS adultos, brancos, heterossexuais, de famílias abastadas, sem deficiências físicas e sensoriais) construirá um discurso e uma cultura de inferiorização daqueles que se diferem do seu perfil, ainda mais, nas relações de produção e trabalho. Contudo não acredito que a realidade da humanidade no planeta só possa ser entendida a partir das relações sociais e de um sistema de produção. Somado a isso temos também as concepções e experiências intrapessoais e ações externas a vivência humana.
Pra mim, não dá para compreender o mundo apenas a partir de uma visão de sistema econômico e social (Capitalismo X Socialismo), e me parece que muitas vezes alguns estudiosos se limitam a isso, também munidos de um idealismo.
As paradas LGBT, explosão dos guetos, são produto de uma época, de uma geração que vivencia o capitalismo como sistema econômico e social, e obviamente, sendo um movimento social terá características do meio em que se constitui. A partir disso, tento visualizá-la por vários aspectos, como uma construção de espaço (seja ele de consumo, visibilidade, lazer...), de produto de um sistema econômico, e também como afirmação de uma identidade de grupo (o qual se constitui pela identificação e opressão).
E dentro da minha visão ideológica (porque seria impossível a neutralidade) acredito que a desqualificação da parada vem, principalmente, da “minoria” opressora, que vê sua moral e principios afronados. Mesmo que ela não tenha palavras de ordem, militantes politizados revogando determinada lei, ela ainda é política e reivindicatória, pois ela coloca nas ruas (hoje de todo canto do país) - um local público, a manifestação das inúmeras IDENTIDADES sexuais. Elas mostram as travestis, os gays (masculinizados e afeminados), as lésbicas (menininhas e caminhoneiras), as dragqueens, e as (os) transexuais como são, uma contestação aos padrões hegemônicos. Assim, as paradas LGBT afrontam os conceitos machistas da constituição da família patriarcal, a qual é disseminada pelas igrejas, também fruto de um processo econômico e social.
Alguns acreditam que as paradas apresentam um formato agressivo de se atingir o objetivo primordial – o direito de se manifestar a sexualidade. E ainda como alavancas contrárias ao movimento, como estímulo a ridicularização e a homofobia. Ou apenas como um evento vendido para o capital - um "carnaval fora de época".
Ora, mas a partir de que parâmetros consideramos isso? São os esteriótipos que prejudicam a imagem e identidade do grupo? É o formato do evento que o qualifica como movimento social? Quem, hoje, compõe as grande paradas? É com os olhos de quem que avaliamos isso? Eu, hoje, acredito que muitas vezes olhamos para tudo isso com os olhos dessa “minoria” opressora, que nos condiciona a uma visão e percepção limitada da realidade.
Porque as “bichinhas poc-poc” ou as “caminhoneiras” denigrem a imagem do grupo? Se são elas e eles grandes militantes do nosso cotidiano. Eles dizem todos os dias “Temos uma manifestação de sexualidade diferente da sua”. Será a mulher ou homem, intelectual, “menos afetado (a)” o (a) principal militante contra a homofobia? A meu ver não, porque ele é o que está mais próximo dos padrões de poder, conseqüentemente, será mais aceito. Não porque aceitaram sua orientação de verdade, mas porque ele é o mais parecido com quem o oprime, ou seja, é superior na classificação dos olhos dos opressores.

A partir do meu idealISMO acredito que as paradas se configuram como contradições de um sistema ecomomino e social em processo. Ela é a afirmação e negação do mesmo. É a mão e a obra.

OBS: Aceito nesse texto duas definições de minoria: 1) Número reduzido de pessoas; 2)Grupo de indivíduos excluídos do poder.


A REVOLTA DOS PERDIGOTOS
Por: João Ximenes Braga

[Carta sobre o Homoterrorismo]

“E quando se trata de sexualidade, só existe uma coisa no mundo que consegue ser mais desprovida de importância que a opinião pessoal: o julgamento moral. Você pode julgar quanto quiser a sexualidade alheia. Não tem importância. Você pode ser conservador e barrar leis no Congresso, fazer passeatas pela família, dizer que o mundo está acabando, que Deus vai punir a todos. Não tem importância, não passa do registro da fofoca, ninguém vai deixar de se deitar com quem quer. Pode até deitar escondido, ou demorar a criar coragem, mas vai deitar. Deitar e suar e trocar saliva e outros fluidos que, com sorte, ficarão na camisinha. E você pode achar isso nojento. Mas não tem importância. Pois a sua opinião e o seu julgamento sobre a sexualidade alheia não tem importância. Porque é alheia. Se for alheia, é do outro; se é do outro, não é sua; não sendo sua, não vai mudar por sua causa”.

segunda-feira, julho 13, 2009

Críticas

Guardemos os mais vailosos elogios para os momentos oportunos, não os gastemos no calejar dos dias de labuta. Eles só são válidos quando escassos. Deixemos que falem, gritem e gozem as críticas, pois serão elas que nos farão bons.

sexta-feira, maio 01, 2009

O sol determina aos olhos a idade

O sol escalda a pele frágil já marcada pelo tempo
E a idade é mero registro de anteontem
A carne, perecível ao tempo, amanhã já está passada
Mostra as veias ávidas por um sangue novo

Os olhos vêem o desejo intenso da conquista
E a determinação é a substância do presente
O sonho, perdurável ao tempo, no futuro é lembrança
Remete a ânsia de uma vida plena e a fome pela morte digna

A carne é a fome pela morte digna
O sonho a ânsia de uma vida plena

domingo, março 29, 2009

Versos Íntimos

- Augusto dos Anjos -

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

***

Antes o extremo cansaço da busca por ideais do que a insignificante crítica de palavras rasas. Prefiro atender uma vaidade, mesmo que medíocre, a permanecer intacto, indiferente e pobre de humanidade.

Fábio Ortolano

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Três Mulheres

A primeira delas é a eterna moça do sorriso, a que me trouxe ao mundo, sendo parte de minha essência. Não só me quis como me aceitou e confiou um dos mais belos amores. Aponta-me com simplicidade, e sem saber, os valores da vida. Revela-me calada o poder das palavras. E acordada, a importância dos sonhos. Mostra-se forte por sua fraqueza. Lembra-me a menina da foto na parede.
A segunda é minha amiga, confidente, exemplo de garra e determinação. Ensinou-me a graça e beleza do amor. Fez-me ver a cumplicidade de um casal e o encanto de alguém que ama o que faz. Motiva-me a sorrir. A realidade, ao seu lado, de tão confortável me parece um romance literário.
A terceira é digna de ternura, modelo de sabedoria e carisma. União de inteligência e doçura. Revela-me hoje um espelho vivo, de um futuro glorioso. É tão próxima, que se faz distante. Exata, como um dia após o outro e a vontade de viver a cada amanhecer. Ensina-me a querer as sementes e não somente as flores das árvores adultas.
Minha mãe, minha tia e minha mestre.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

O simples, o convencional, o básico

Num caminhar às 18, 19, 20 horas talvez eu encontre as respostas que procuro. Ando sem rumo e sem querer lugar algum, apenas ando.
O que me assusta é essa inércia que me orienta e as tantas ausências vividas nesses últimos dias: de sonhos e esperanças, desejos e paixões, vontades e coragem.
Pode ser que o bom mesmo seja acreditar na idéia lúdica de viver, pois assim, a vida ganha os traços do sorriso, como aqueles despertados nas crianças ao verem o trenzinho passar.
Só me resta o simples, o convencional, o básico.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Teu sorriso


Quem me dera poder guardar junto à fotografia o teu sorriso.
Pois seria tão bela e única a imagem registrada.
Um registro e obra de beleza

Perco-me ao procurar outros traços que me digam tanto quanto teu sorriso
Um dizer tímido unido a ternura e doçura da meninice
Uma riqueza travestida em delicadeza

Jamais esquecerei a noite em que pude perceber a forma e brilho do teu sorriso
Um jantar acompanhado de olhares, intenções e desejos
Um momento de gentileza

Alegro-me ao lembrar do acanhamento escondido no teu sorriso
Ao confessar-te a minha admiração e interesse por ti
Pude ver rapidamente tua singela nobreza

Fica assim na memória o teu sorriso
Daquela noite para todo o sempre
Beleza, delicadeza, gentileza e nobreza.

sábado, novembro 22, 2008

[Musica] 1º de Julho

Esse foi o dia...

Cássia Eller
Composição: Renato Russo


Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez

O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim

Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa,meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso

Vale mais o coração
Ninguém sabia, ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Baby, baby, baby, baby

O que fazes por sonhar
É o mundo que virá prá ti e prá mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu Chicão...

E foi isso.

Fábio Ortolano

sexta-feira, outubro 31, 2008

Manifesto de Fuga

Defenda sua palavra e liberte-se. A sua, a minha, a nossa liberdade são as únicas coisas que nos restam. Estamos presos e nem sabemos onde. Somos cárceres de um sistema que nos atropela, aliena e não nos faz pensar.
Por isso sonhe, crie, recrie, critique, erre, fale, mude e cante por um mundo melhor. Cante até aos surdos sua canção e seus ideais. Não se omita fechando os olhos e muito menos silenciando sua palavra, diante das tantas verdades que lhe fazem frente.
O futuro depende de um passado de esperanças e de ações não meramente pontuais. Façamos do pequeno idéias grandiosas.
Certamente temos uma parcela desse mundo e sistema que nos afrontam. Assim, entregue-se a eles, de peito aberto, gritando sua palavra, jamais calando-a. Pois ela muda, lhe manterá preso e alienado a sua própria existência.
Dessa forma, quando nos perguntarem se estamos certos, diremos: Não sabemos, apenas defendemos nossos ideais.
Faça história.

Fábio Ortolano

sexta-feira, outubro 17, 2008

sexta-feira, outubro 03, 2008

Sarau

“Nós vivemos a temer o futuro, mas é sempre o passado que nos atropela e mata” (Mario Quintana)
[Assim]
“Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento” (Clarice Lispector)
[Se]
“O futuro só existe na inquietude constante de um presente amiudado. O passado sobrevive numa cela de vidro de um presente que insiste em todo o dia sonhar acordado”. (Bruno Bezerra)
[Pois]
“Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”. (Victor Hugo)

Fábio Ortolano

quarta-feira, setembro 10, 2008

Idéias


As idéias estão sempre guardadas como os brinquedos da infância. Surgem de um passado despertado às 14 horas de um dia qualquer.
A criança é sábia, acorda, pega seu brinquedo e sai cantando de volta pro seu mundo. Ela não pára, pois sabe que embora tudo mude, os sonhos... Os seus sonhos jamais serão obsoletos.

Fábio Ortolano

sábado, agosto 09, 2008

Diálogo

O tempo fecha, eu pego a chave e a porta abre. Fecho a porta e fico quieto. Abro a porta e me fecho. Lá permaneço, abre-se outra porta e passa alguém.
Não o conheço e mora em minha casa. Os trajes pretos revelam o luto, a dor, a revolta, a mágoa e a insegurança.
(...) São palavras escondidas em tecidos mortos.
Elas não me bastam, já dizem tanto, e contraditoriamente, tão pouco, que mal entendo seus significados.
Passo a porta, a outra: - Posso falar com você? "Claro, sente-se aí".
Palavras ditas e sentidas, quase escorridas por lágrimas de histórias semelhantes. Códigos soltos através de confidências a estranhos.
Tão estranhos, estranhando a delicadeza de um diálogo.

***

Agradeço o comentário, os créditos e citação da Lariane

"Então observem, leiam, reflitam e façam o que ''vier na mente''". (Lariane Guerino)

sábado, julho 26, 2008

Incognita

(...) E eu imaginei que pensar me faria entender. A vida é tão linda assim, uma incognita!

Fábio Ortolano

Tantas coisas


Gê* : (...) Tantas coisas?
Fábio: Sim, tantas coisas. Cada som, toque, imagem, gosto e vibração está carregado de inúmeras leituras. E nós as enxergamos quando nos damos conta de quão bela e incrível é a vida, a rotina, os pequenos momentos e até os dias intermináveis. Em meio a pertubações ainda é possível sorrir e estar feliz, estou numa fase meio que desse jeito. Sabe, eu queria que fosse possível recortar cada pedacinho de nossas vidas e misturar com as de nossos amigos, colegas, desconhecidos... Para que a gente ampliasse nossa percepção e sentidos.

*Uma menininha mulher que eu tenho o privilégio de conhecer e amar.
Fábio Ortolano

terça-feira, junho 03, 2008

Sustentabilidade

O futuro já é o minuto seguinte, um tempo que há de vir e ser agraciado por momentos de outrora. Eras remotas ou segundos passados despercebidos na correria do relógio. Os ponteiros nos conferem que tudo é passageiro, a não ser as marcas.
(...)
Os ventos passam, as gotas caem e os homens mudam, e ainda assim, serão as marcas registradas na história que farão do homem um ser sustentável. Passando ele do mundo individual para o universo global, responsável pelo presente de um futuro próximo.

Texto para o vídeo do Festival 2 minutos

Fábio Ortolano 29/o5/08

quarta-feira, maio 21, 2008

Fuga


Embora se pareça escuro, os lábios traçam a alegria da esperança, expressa num sorriso frágil.

(...)

Ele esconde no grito o medo do seu silêncio, foge do espelho na angústia de não se ver, pensa em tudo para se esquecer de si e da própria vida.
Ele parece velho perante os outros, e assim o reconhecem, esconde na aparência de fortaleza a fragilidade de um menino que não queria crescer tão rápido.
Ele sofre, mas não chora, pois as feridas de tempos passados o tornara frio para as próprias dores. Está preso e por mais que busque não consegue a liberdade.
Ele permanece em constante fuga: Escreve, sonha, milita, idealiza, cria e conversa, sem saber o porquê. Contudo tem motivos para não se olhar e se encontrar.




Fábio Ortolano


"Um dia desses eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar". (Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, maio 02, 2008

Música aos surdos

A bruguesia... Seus membros se limitam apenas em seus círculos de sociabilidade, não se misturam, e tão pouco, interagem e compartilham com os que estão fora de seus guetos.
Estamos apenas interessados em divulgar e abrilhantar o que nos pertence. Ficamos restritos aos nossos insignificantes grupos, e para piorar, poucos deles se comunicam. Diante dessas realidades vergonhosas que nos afrontam, alguns, da mesma classe, tentam maquiar verdades que se tornam feias demais ao olharmos no espelho, e eu, parte do grupo, me rendo perante tamanhas imoralidades, do meu também medíocre ponto de vista.
Todos cantam cada vez mais alto, embora rodeados por surdos. E no ponto mais elevado que chegam, no máximo conseguem que se escute um trecho de suas canções.


Fábio Ortolano
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O Mundo é um Moinho
( Cartola, que além de músico e compositor, foi um pedreiro poeta )


Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

segunda-feira, abril 21, 2008

Essência

Eu jamais deixarei de ser esse eterno romântico melancólico, carinhoso e amoroso, desastrado e exagerado, triste e alegre, inseguro e impulsivo que não para de sonhar.
Posso até me adaptar e mudar algumas atitudes, porém a essência será sempre a mesma. Já que sorrir e chorar são constantes em nossas vidas, que sejam por motivos nobres, por nós mesmos e pelos nossos sonhos.
Pode ser que, por momentos, eu me perca nas desilusões da vida e assim, me esqueça de meus ideais, mas nunca, nunca estarei assim pra sempre.

Fábio Ortolano

sexta-feira, abril 18, 2008

Uma frase...

A dor de outrora sempre fora um presente em fuga e a esperança um passado, ainda que recente.

Fábio Ortolano

quarta-feira, março 12, 2008

Amor e Amizade a partir da Diversidade

Bem-vindos a um universo repleto de crenças, credos e culturas. Somos negros e brancos, pobres e ricos, homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, virgens e devassos, crentes e ateus, deficientes e insanos, semelhantes e diferentes.
Um mundo em que todos sonham e acreditam em seus direitos, pois a realidade é parte de uma fantasia concretizada.
Amor e amizade a partir da diversidade! Compartilhe essa idéia!

Fábio Ortolano

quinta-feira, março 06, 2008

Fraquezas

Talvez eu nunca esteja forte o bastante para esconder minhas fraquezas. Pode ser que eu nunca me torne maduro o suficiente para controlar meus sentimentos, pois sempre haverá a constante dolorosa do erro presente em nossas ações na busca pelo acerto.
Nesses dias em que tudo dá errado sinto uma inútil vontade de permanecer em sono profundo. Eu luto por certezas que nem eu mesmo acredito serem válidas, as tantas verdades que por hora me julgo o dono, em certos momentos me deixam a sensação de que nada sei.

Fábio Ortolano

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Claridade

( Ana Carolina)

Eu não vou te convencer do que é certo aqui pra mim.
Eu não vou mudar você, deixa o vento lhe mostrar, ele sabe sobre mim.
Eu não quero mais correr, vou cuidar do meu jardim.
Trago flores pra você, deixo o tempo lhe mostrar, nossa historia é mesmo assim.
Chora, pois a chuva de agora vai molhar as suas rosas
E a tristeza vai ter fim.
É hora, acabou a tempestade pra chegar a claridade do amor.
Chora, pois a chuva de agora vai molhar as suas rosas.
E a tristeza vai ter fim...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Falados os segredos calam*



O que nos é mais importante e essencial: Estar de olhos bem abertos ou permanecermos míopes diante desse universo que nos afronta?
Eu realmente não saberia dizer e tão pouco sei se desejo essa resposta.
De que vale a verdade de um mundo em que os sonhos são apenas fantasias acariciadas pelo travesseiro. Assim é melhor continuar dormindo, no entanto, permanecer alienado no planeta das ilusões pode ser a vivência de uma história irreal.
As tantas incertezas aos poucos me revelam parte do mistério de minha existência. Estou voltando aos meus e o sol começara a brilhar novamente. Sinto que novos raios aquecerão minhas manhãs arrefecidas pelas angústias de outrora.

Fábio Ortolano

*O título é um trecho de uma música dos TRIBALISTAS


- GuArUjA, sEgUrA aS oNdAs E tRaGa O sOl QuE a gEnTe Ta DeScEnDo! FrIeNdS FoReVeR nA pRaIa. Yupi Yupi Yupiiiiiiii \o/

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Meus dias


O silêncio guarda sozinho o anseio de dizer as tantas palavras reprimidas. E estar sempre em abstenção da fala é um sinal de angústia, desespero e desejo de gritar o mais alto possível à grandeza de um segredo contido.
Seu oposto, o ato de exprimir compulsivamente tudo que se sente, é também mais uma forma de oprimir essa agonia que domina os pensamentos e mentes insanas. Assim, falar de mais nos denuncia o medo de permanecermos imperceptíveis.
E assim tem sido meus dias, cobertos de silêncios e intensas conversas, corroendo tudo que sou e sei até agora. Hoje minha maior verdade é a incerteza, e eu, sempre tão sábio de mim mal me reconheço ao olhar-me no espelho.
As palavras, códigos subjetivos, tomam conta de toda minha essência e a cada dia estou mais próximo de mim e distante de tudo e todos à minha volta, talvez dessa forma eu volte a me compreender.


Fábio Ortolano

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Um lugar


“Longe, lá de longe, de onde toda beleza do mundo se esconde. Mande, para ontem, uma voz que se expanda e suspenda esse instante. Longe, lá de longe, de onde toda beleza do mundo se esconde, cante para hoje”. (Tribalistas)

Um lugar distante, distinto e lindo, que eu nunca vira, entretanto, como eu sempre imaginara. Lá que meus sonhos repousaram, acariciados com os ventos de uma paixão. Tão mágicas e vazias ao mesmo tempo, por aquelas bandas, eu me encontrara e me perdera.
Um lugar onde todas as emoções eram intensas e avassaladoras. Eu somente gritava em silêncio a força daquela angústia que me domava e me deixava intacto, impotente e apaixonado.
Um lugar de terras distantes, aconchegantes e belas, que provavelmente nunca mais pisarei. Pois certamente não haverá placas que indiquem um retorno. E se houver, serão vistas apenas pelo retrovisor.

Fábio Ortolano

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Muito mais do que mereço

Não te mereço, já que sempre te olhei com paixão.
Não te mereço, pois teu cheiro me embriagava de tanto querer.
Não te mereço, pois em tão pouco tempo eu te queria pra vida inteira.
Não te mereço, já que sempre me magoava.
Não te mereço, por que até tua voz me soava como música.
Não te mereço, se teu orgulho ultrapassava qualquer sentimento por mim.
Não te mereço, por que meus sonhos eram de menino.
Não te mereço, pois desejava te levar, na cama, o café, te dar banho e fazer cafuné.
Não te mereço, por que ninguém te abraçará como eu te enlaçava.
Não te mereço, pois nada te acalmará tanto quanto meu calor em teus lençóis.
Não te mereço, já que sempre fui sincero.
Não te mereço, se em todas as músicas eu só via você.
Não te mereço, se até no meu chamar eu dizia que te amava.
Não te mereço, já que deixava tudo para estar do teu lado.
Não te mereço, se até besteira eu faria pra não te ver chateado.
Não te mereço, pois morria de ciúmes de ti.
Não te mereço, já que em certas horas nem me notava.
Não te mereço, por que ninguém te beijará o rosto e tocará tuas mãos com tanto carinho, como eu.
Não te mereço, se tão pouca consideração tinha por mim.
Não te mereço, por carregar tamanho apresso por ti.
Não te mereço, pois ninguém mais sonhará da forma que eu sonhei contigo.
Não te mereço, por que eu esperava que nossa história fosse mágica pra sempre.
Não te mereço, por que te amei mesmo vendo tua escuridão.
Não te mereço, por que eu sempre tive orgulho de falar de ti para as pessoas que mais gostava.
Não te mereço, se quisestes me dar um amor bandido.
Não te mereço, pois eu queria dançar, cantar e contracenar contigo.
Não te mereço, já que ninguém fará poesias pra ti, como eu.
Não te mereço, por que em todos os momentos eu confiei e acreditei em ti.
Não te mereço, se teu perfume inebriante aguçava meus sentidos.
Não te mereço, ja que tua carne, pele e pêlos me encarceravam de tantos desejos.
Não te mereço, se eu só enxergava sua inteligência, força e determinação.
Não te mereço, pois até nas ultimas linhas da nossa historia você desejou me ferir.
Não te mereço, se eu te beijava a orelha e esperava teus gemidos.
Não te mereço, se ninguém mais olhará ti como eu te olhava.
Não te mereço, pois nenhuma pupíla dilatará como a minha, quando te vi pela primeira vez.
Não te mereço, por que foi meu primeiro amor e nunca te esquecerei.
Não te mereço, por que mesmo assim eu te deixei.
Não te mereço, se pra ti, mesmo sabendo do meu amor, só importava o ponto final.

Fábio Ortolano

terça-feira, janeiro 29, 2008

I can't take my eyes of you

Damien Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want toLeave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...My mind...my mind...
'Til I find somebody new

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Sozinho

Composição: Peninha

Às vezes, no silêncio da noiteEu fico imaginando nós doisEu fico ali sonhando acordado, juntandoO antes, o agora e o depoisPor que você me deixa tão solto?Por que você não cola em mim?Tô me sentindo muito sozinho!Não sou nem quero ser o seu donoÉ que um carinho às vezes cai bemEu tenho meus segredos e planos secretosSó abro pra você mais ninguémPor que você me esquece e some?E se eu me interessar por alguém?E se ela, de repente, me ganha?Quando a gente gostaÉ claro que a gente cuidaFala que me amaSó que é da boca pra foraOu você me enganaOu não está maduraOnde está você agora?Quando a gente gostaÉ claro que a gente cuidaFala que me amaSó que é da boca pra foraOu você me enganaOu não está maduraOnde está você agora?

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Estranhos

Hoje me dei conta, mais uma vez, de quão grandiosas são as pequenas coisas. E eu ainda me pego surpreso e perplexo ao ver como certas ações marcam todo o meu dia, a minha mente e os meus pensamentos. Vi de uma maneira tão singela e bela como simples momentos podem se tornar raros e especiais.
Surpreendo-me de como pessoas estranhas me chamam tanta atenção. Tão desconhecidas e próximas ao mesmo tempo, são sempre elas que me motivam a escrever, pensar e refletir. Concluo que elas também dão um significado para minha vida, e talvez são parte de meu ser, pois é quando as encontro que mais olho pra mim.
E falando nelas, lembro-me que nos tempos de criança, eu passava próximo a essas pessoas que nunca tinha visto e imaginava como seria viver aquela vida observada de relance, apenas por alguns minutos. Aquelas idéias voavam como passarinhos que encontram os seus ninhos, batiam assas por alguns segundos, para em seguida repousarem.
Certa vez, eu estava na casa de meus tios, e ouvi a vizinha escutando uma música que há tempos eu procurava. Uma melodia alegre, que me trazia lembranças de sei lá o que, e sem saber o porquê, eu sempre quis ouvi-la. E claro, tinha que ser uma música antiga, anterior a minha geração, afinal, o passado, como o presente e futuro, muito me encanta.
Assim, não resisti e liguei para a tal vizinha, conhecida como Mirian. Falei do meu interesse pela música, o quanto eu apreciava e a perguntei qual era o nome, afinal nunca tinha visto. Durante nossa conversa eu não sabia como definir a dita musica, pois já haviam tocado várias depois. Então ela pediu-me que cantasse um trechinho, logo, saberia qual seria a musica de meu interesse. Eu, muito envergonhado fiz o que me sugeriu. E ela, muito simpática, disse o nome comentando o quanto gostava daquele som.
Tempos depois, mais precisamente ontem, eu voltei na casa de minha tia e fui escutar algumas músicas. O telefone tocou e eu mesmo atendi. Era aquela vizinha, dizendo adorar as músicas que eu estava ouvindo. Ela as tinha também, mas mesmo assim teve vontade de ligar e compartilhar seu prazer em escutar aquelas melodias, dizendo que já imaginava quem seria o outro ouvinte, no caso, eu. Nossa conversa foi tão curta e mágica ao mesmo tempo. Parecia que nos conhecíamos há anos, falando de nossos gostos musicais tão semelhantes. E depois daquela ligação as músicas pareciam mais belas que antes.
Mal conheço, pouco nos falamos e somos de gerações distintas, no entanto, parece que muito sei ao seu respeito, pois me identifico com seus gestos e ações. E não são somente os interesses musicais que temos em comum, mas a alegria e desejo de compartilhar, mesmo que com um estranho, a alegria de simples momentos.
Somos todos estranhos, cada um, uma incógnita, trazendo consigo uma simples resposta: É somente através do outro que se pode conhecer a si mesmo.



Fábio Ortolano

domingo, dezembro 16, 2007

Todos Perdidos


As lágrimas escorrem como sangue de feridas que nunca fecham. Revelam sutilmente a dor de um sofrimento invisível, camuflado por esperanças jamais atendidas.
Estamos todos perdidos, e o pior, deixando ir embora a nossa própria essência, condenados a um futuro mesquinho a qualquer ser vivo.
E para nós, seres racionais, cabe a reflexão e o pensamento. Porque é pensando que nos deparamos com a grandeza ou miséria de nossa existência.
Choramos todos por não sermos enxergados, cada vez mais sozinhos e vazios. A intolerância supera a compaixão, o preconceito ultrapassa o respeito, o egoísmo se sobrepõe ao amor.
As pessoas passam ao nosso lado sem que ao menos a notemos, estamos carentes de contato. Todos gritam na ânsia de serem ouvidos, no entanto, esquecemo-nos de escutar o que nos falam.
E é uma pena que continuemos parados, fracos e covardes. Apenas olhamos as lágrimas caírem, intactos, acuados e impotentes. Sem até lembrarmos de que um dia essas feridas deveriam cicatrizar. Quando é que compreenderemos o valor da humanidade, e assim, lutar por ela?
Vivo o presente sem jamais esquecer o futuro, para que o amanhã não seja somente nostalgias do que vivera no passado.

Fábio Ortolano

terça-feira, outubro 30, 2007

O teatro dos Vampiros

O Teatro Dos Vampiros

(Renato Russo)
Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto...
Nesses dias tão estranhos, fica poeira se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez sempre é a última chance
Ninguém vê onde chegamos, os assassinos estão livres, nós não estamos...
Vamos sair! Nós não temos mais dinheiro, os meus amigos todos estão procurando emprego...
Voltamos a viver como há dez anos atrás.
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas...
Vamos lá, tudo bem!Eu só quero me divertir, esquecer dessa noite, ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo de artilharia, comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar...
Quando me vi tendo de viver, comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei, não sou perfeito...
Eu não esqueço, a riqueza que nós temos ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito, tive mêdo e não consegui dormir...
Vamos sair!Nós não temos mais dinheiro, os meus amigos todos estão,procurando emprego...
Voltamos a viver como dez anos atrás e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas...
Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir, esquecer dessa noite, ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo de artilharia, comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém...


****

terça-feira, outubro 16, 2007

Passa, passa, Passarinho

Passa, passa, Passarinho
E não me deixe mais sozinho
Passe o tempo e
Mude os ventos

Passa, passa, Passarinho
E me mostre de pertinho
O seu abrigo e
Sua cantiga

Passa, passa, Passarinho
Bem devagarzinho
A chuva já cessara
Venha ver o que nascera

Fábio Ortolano

sexta-feira, outubro 05, 2007

Canto de Paz


Estavas certo, meu passarinho!
Fiz o que me falastes e entreguei meus sonhos às estrelas. Elas os guardaram enquanto a tempestade não passava. Como são sábias! Mantiveram todos intactos, para uma próxima viagem, sabendo que os românticos estão sempre dispostos a buscar novas destinações.
Dei-me conta de que o oceano que outrora eu sonhara era como as inúmeras lagoas encontradas em nossa jornada. No entanto, continuarei a procura do tesouro e do vale encantado.
Hoje nasce uma flor no solo irrigado pelas chuvas. E sinto-me feliz em ver os vários passarinhos ao meu redor, como tu, que me trouxeste um canto de paz.
Fábio Ortolano

domingo, setembro 30, 2007

Meninos E Meninas

Meninos E Meninas
(Legião Urbana)

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui

Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e de São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer

Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?

Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?

Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoasTroco os pronomes

Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar

Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e de São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

quarta-feira, setembro 26, 2007

Grito II

Eu, marinheiro de primeira viagem, me entreguei ao mar, sem saber que rumo a embarcação tomaria, o tempo estava fechado, mas eu só pensava e via o horizonte. Acreditava que meus sonhos fossem o bastante para chegar em qualquer destinação.
Hoje eu grito por me sentir um naufrago, vendo todos aqueles sonhos engolidos pela fúria das tempestades. Eu não tinha a experiência dos velhos navegantes, no entanto, eu tinha as mais belas e puras intenções nessa viagem.
Está tudo escuro, fora de controle, me sinto impotente diante de tamanha tempestade que mais me parece um pesadelo.
Tomara que um passarinho trazido pelo tempo venha logo me acordar, assoprando um grito de paz e esperança.

Fábio Ortolano

***
50 Receitas
(Leoni, Frejat)

Eu respiro tentando encher os pulmões de vida
Mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar
Ainda sinto por dentro toda a dôr dessa ferida
Mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar
Eu queria manter cada corte em carne viva
A minha dôr em eterna exposição
E sair nos jornais e na televisão
Só pra te enlouquecer
Até você me pedir perdão

Eu já ouvi cinqüenta receitas pra te esquecer
Que me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr

O que dá raiva não é o que você fez de errado
Nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil de falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia

O que me dá raiva são as flores e os dias de sol
São os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós
São seus olhos e mão e seu abraço protetor
É o que vai me faltar
O que fazer do meu amor?

Eu já ouvi cinqüenta receitas pra te esquecer
Que me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr

domingo, setembro 16, 2007

Grito


Os dias passam depressa e as tempestades destroem os sonhos, derrubam as fantasias, apagam a vida. O vento continua assoprando a areia da praia e cada grão que insiste cair de minhas mãos eu escuto um grito, meu medo de que um dia elas se esgotem, acabem perdidas na fúria dos furacões. Tenho um oceano de planos e desejos com você, no entanto a escassez de chuvas me traz um receio de que tudo seque, como aquelas várias lagoas que encontramos no percurso da vida.
Fabio Ortolano

sexta-feira, agosto 31, 2007

Muda




Muda


A vida corre e a flor já não é mais muda,
Cresce sonhando amuada, acuada e muda,
Percebe uma evolução nas cigarras a cada muda,
E nela, se não for as pétalas, o que muda?
Fabio Ortolano

segunda-feira, julho 16, 2007

PP


Por varias noites eu vaguei
Esperando encontrar o que sempre sonhei
Dos mais belos contos de fadas aos romances literários
Raros são os românicos que vivem nesses itinerários
O maior desejo é amar e amado ser
Pois não há nada melhor que uma paixão ter
Alguém que se pense todo dia todo
Uma pessoa que te deixe de carinho embriagado
Lábios que se entrelaçam como corolas
O verdadeiro frescor das aquarelas.

quinta-feira, junho 07, 2007

Do Mersault de Albert Camus à Macabéa de Clarice Lispector


De um lado, um homem que se encontra distante e diferente de seu próprio mundo, é o estrangeiro da própria vida. Do outro, uma mulher perdida em seu universo, estranha para todos que a conhece, o oposto da existência humana. Conhecido como Mersault e chamada de Macabéa são pela primeira vez protagonistas, personagens de grandes obras, uma de Albert Camus e outra de Clarice Lispector.
Mersault é um homem comum, trabalhador, mora sozinho e vive numa pequena cidade. Ao mesmo tempo o contrário, é totalmente incomum, parece não ter sentimentos, não traça grandes laços afetivos, é extremamente fechado, e não tem objetivos em sua vida. Macabéa, nordestina brasileira, mudou-se com a tia para o Rio de Janeiro e divide o quarto com mais quatro mulheres. É uma moça que só sabe respirar, chega ser engraçado pensar que é um ser humano, pois é a inexistência de desejos, é a falta da consciência. Não almeja, não sofre, é o nada em carne e osso.
Ambos são coadjuvantes da própria história, não sabem os motivos de suas existências, e nem se interessam em saber. São produtos de uma era, os retratos do vazio de nossa civilização, alienada e assolada pela disputa, pela manipulação das massas, e pela competição. Vivem na escassez de anseios, na miséria do cotidiano e sentem fome de vida.
Nos enredos, enquanto todos admiram a ausência de lágrimas de Mersault na morte de sua mãe, os leitores de A Hora da Estrela se indagam pela indiferença de Macabéa quando seu namorado a deixa por estar interessado na sua amiga. Mersault é um criminoso homicida, mata um homem sem ter motivos e não se culpa por isso. Às vezes se vê como tal, mas é tão irrelevante para ele que não perde seu tempo pensando nisso. Macabéa é assassina da própria vida, não pensa, esquece de si mesma, é uma suicida que não quer morrer.
Mersault não pensava em ninguém, só em alguns momentos na Maria, talvez por um instinto biológico, para fartar uma necessidade física. Macabéa ficou moça tarde, “Porque até no capim vagabundo há desejo de sol” (Clarice Lispector). Pensava em sexo quando ia dormir, no entanto, sentia-se culpada depois.
Assim levam suas histórias, na prisão, o personagem de Camus passa seu tempo observando as paredes, repara em cada detalhe, a cor, os defeitos, as manchas e não se incomoda com a situação. Macabéa vai deitar-se com fome, e para se saciar come pedaços de papel. Certa vez, passa mal por tomar um café cheio de açúcar, havia colocado muito para aproveitar.
Não sabem o que é viver, estão num mundo que não os pertence, e nem os aceita como parte de um universo. Estão além das margens, localizam-se do lado de fora. É fato, serão condenados a saírem dessa condição vegetativa.
Para os dois, resta somente à morte, a esperança de um nascimento, de uma vida. Deixarão o status de estrangeiros para serem os protagonistas da própria existência. Mersault, preso por homicídio, será sentenciado a pena de morte. Macabéa morrerá em posição fetal, após ser atropelada.



Fábio Ortolano, 07 de junho de 2007

domingo, maio 27, 2007

Pratododia

Pratododia
(Danilo Souza)
Como arroz e feijão, é feita de grão em grão
Nossa felicidade
Como arroz e feijão
A perfeita combinação
Soma de duas metades
Como feijão e arroz que só se encontram depois de abandonar a embalagem
Mas como entender que os dois
Por serem feijão e arroz
Se encontram só de passagem
Me jogo da panela
Pra nela eu me perder
Me sirvo a vontade... que vontade de te ver
O dia do prato chegou é quando eu encontro você
Nem me lembro o que foi diferente!
Mas assim como veio acabou e quando eu penso em você
Choro café e você chora leite
Choro café e você chora leite
*
*
*
O Teatro Magico- Virada Cultural 2007

segunda-feira, maio 07, 2007

Lágrimas


Fico sem tempo mesmo sem ter o que fazer,
Não sei o que quero, e sofro por não ter o que querer.
Me encontro sem destino nos meus sonhos e caminhos,
Ah...Se eu fosse como os passarinhos.

Acordo de repente angustiado,
Olho pro lado e vejo tudo complicado.
Tenho vontade de chorar,
Não vou desabar.

As lágrimas não vêm,
Será que eles vêem?
Apontam acuadas nos cantos dos olhos o desejo de escorrer,
E mostrar a dor que é viver.


Fábio Ortolano

domingo, abril 08, 2007

Pedro, João, Joana, Maria, Roberto e Alberto


Ele é o Pedro, João, Joana, Maria, Roberto e Alberto. Tropeça quase todos os dias nos sapatos e nos sonhos ao sair da cama. Está condicionado a buscar uma felicidade comum, igual para todos. Sofre pelo excesso de trabalho, e mais ainda pela ausência de objetivos próprios. Não se encontra em nenhuma penitenciária, mas é um cárcere. Está preso à própria existência. Quando tenta se diferenciar, buscar novos caminhos, percebe que outros já fizeram, e continuam na mesma. O importante é que ele compreenda por si só sua jornada e descubra sua felicidade. E para que ele entenda tudo isso, é necessário pegar o ônibus, tropeçar nos sapatos e até ir ao cinema, mesmo que seja uma obrigação para que no dia seguinte esteja melhor.


Fábio Ortolano

quarta-feira, abril 04, 2007

Mandamentos do Ecoturismo

"Os quatro mandamentos do ecoturismo: da natureza nada se tira, a não ser fotos; nada se deixa, a não ser pegadas; nada se leva, a não ser boas lembranças; nada se mata, a não ser o tempo."

Vamos deixar o ambientalismo de lado quando pensamos nas interações humanas com o meio. Culpamos-nos muito, a todo o momento. Sempre tem alguém dizendo que causamos impactos à natureza, mas qual o animal que não interfere em seu habitat? Dessa forma, nos excluímos de qualquer ecossistema, e nunca pensamos numa troca positiva. Preferimos estudar as relações de outros seres, e acabamos acreditando que sempre faremos o mal. O Homem é parte de um todo. Como a onça e os primatas, têm seus nichos e locais de abrigo.

Fabio Ortolano

segunda-feira, março 19, 2007

Amazônia

Países de primeiro mundo estão se mostrando solidários às nações subdesenvolvidas, ao apoiá-las na preservação de suas riquezas naturais. Exemplo disso é o dinheiro investido na maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. Mas será que estas grandes potências não têm outro interesse, além do cuidado com o meio ambiente?
Desde a RIO-92 país desenvolvidos se comprometeram a apoiar e contribuir com nações pobres na preservação de seus patrimônios naturais. Tendo em vista que para chegar ao seu grau de desenvolvimento, muito foi devastado e explorado.
Assim, passam aplicar seus capitais em pesquisas e projetos de países como o Brasil. Financiam, por exemplo, estudos de plantas e insetos utilizados pela indústria farmacêutica. Seria ilusão acreditar que não há nenhum interesse econômico por trás. Estes países têm, e muito, a ganhar com essa contribuição, já que os mecanismos de patente aqui no Brasil não vigoram como deveriam. Chegam a explorar riquezas que nós mesmos desconhecemos.
Diante disso, eles têm o argumento de que nossa nação não investe em ciência, portanto, não deveríamos “atrapalhar” os seus trabalhos, e muito menos nos gabar que somos os principais donos da Amazônia. Convém salientar que estes países “preocupados” com o meio ambiente são os grandes responsáveis pelo efeito estufa. Emitem uma gigantesca quantidade de gases poluentes, e já destruíram boa parte de suas flora e fauna.
Gabar-nos de algo que nos pertence é sem dúvida um direito. Se hoje ainda há riquezas a serem exploradas em nações subdesenvolvidas, cabe as mesmas cuidarem de seus patrimônios. Uma forma é o Turismo sustentável, fazendo com que esta atividade econômica preserve o meio ambiente. Por exemplo: Ao invés de devastar uma área para o cultivo de algum alimento ou para a pecuária, que geraria empregos e lucros. Podia-se preparar e planejar a região para uma interação do homem com outros animais e o meio, gerando também novos trabalhos e formas de subsistência. Portanto, devemos sim, repudiar qualquer idéia de internacionalização da Amazônia. E como cidadãos, cobrar mais incentivos aos nossos cientistas.

sexta-feira, março 09, 2007

Vou-me para Rabocaso


Vou-me para Rabocaso, não para Pasárgada. Não escolherei a cama, nem ao menos os companheiros. Sim, os vejo como outra civilização, parecem bem educados. Lá não serei amigo do rei, e mesmo sendo, não teria importância. Se ficar sozinho, assim estarei, não haverá escapatória. Mas posso dizer uma coisa, por aquelas terras a existência também será uma aventura.
Nada é como outrora, como os dias que não se via passar as horas. Muda-se o rumo do romance. O enredo já não é o mesmo. As páginas são viradas sem ao menos imaginar como será a próxima cena. Cada passagem tem uma intensidade, todas fortes. E quando o sol se deitar a personagem vai chorar. Mas nada ela fará, mesmo que a vontade de se matar a dominar.
Aqui sou feliz, e lá? Rabocaso, cidade de meu maior caso? Será que um dia, por lá, eu ainda me caso? Já sei, farei como nos tempos de eu menino, fecharei os olhos e imaginarei só coisas boas. Pode ser tudo diferente, mas pelo menos serei um sonhador.


Fábio Ortolano

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Tempos

Nossa história baseia-se nas ações de nossos antepassados.Seria ilusão acreditar que tudo que nos contam é verdade. Se pararmos pra pensar que em raros momentos temos uma mulher ou um negro importante. Aprendemos sobre um passado machista e preconceituoso. Convém salientar que também há uma manipulação cultural, já que vivemos uma visão eurocêntrica.Mesmo assim, é através da história que avaliamos nossas evoluções e buscamos melhorar o presente.Embora este seja de catástrofes e ameaças o amanhã é sempre imprevisível, então, se mudarmos o modo de conduzir o nosso destino, o futuro será promissor.Diante dessas transições, vivemos na era do instantâneo, nossa conjuntura social faz do hoje um presente exacerbado. O avanço da tecnologia e dos meios de comunicação alavanca o desenvolvimento, mas por outro lado, o desenvolvimento, mas por outro lado, exclui os que não se adaptam. Um exemplo, é a atual exclusão digital que deixa às margens cidadãos que têm acesso a Internet e ao computador. Criar mecanismos que mudem essa realidade não é fácil, mas não significa que não devemos tentar, ao levarmos em conta que todos os seres humanos são sucessíveis a mudanças a curto e longo prazo.O ditado popular “Vamos dar tempo ao tempo” nos retrata quão importante é essa sucessão de dias, meses e anos. Não simplesmente uma seqüência cronológica, mas certamente o grande formador e mediador de nossas personalidades e ações. Afinal, é só através dele que podemos tirar sábias conclusões.Sobre Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Álvaro Lins escreve que só a morte confere o direito de julgar definitivamente a obra de um escritor, pois só assim poderá ser avaliado por completo. O Tempo é como a morte, nos dá uma constatação minuciosa do que se foi. A história pode até sofrer algumas intervenções desde que saibamos filtrar algumas informações. Portanto, devemos compreender o passado, viver intensamente o presente, para fazer do futuro tempos melhores.
Fábio Ortolano

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Defitinitivamente o fim.


Depois de tantos medos, aflições e lutas veio o momento de trégua, tempos de paz. Agora o guerreiro segue seu caminho. Feliz pela luta vencida, mas triste pelos companheiros que não tiveram o mesmo sucesso.
A guerra é sempre assim, injusta!
Ao vencedor, as comemorações são sempre bem vindas. Aos que não venceram, só os restam a força e a determinação de atingirem seus objetivos.

Fábio Ortolano