quinta-feira, junho 09, 2011

Carta aberta da APOGLBT para a população brasileira, contra o conservadorismo e o fundamentalismo

Incluir e amparar indiscriminadamente todas as pessoas não seria o principio básico da religião?

07/06/2011
 
Em 2010 mais de 260 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram assassinados no Brasil, em ataques tipificados pelas autoridades como crimes de ódio. Uma sociedade que vende para o resto do mundo uma imagem de “acolhedora” e “diversa” está com suas mãos sujas de sangue. Nós, brasileiros, carregamos o título de país líder em assassinatos e violência contra LGBT.

Aqui se mata mais homossexuais do que nos países islâmicos em que a homossexualidade ainda é condenada pela lei com a pena de morte. A semelhança entre o Brasil e nações como o Irã, Arábia Saudita e os Emirados Árabes é que aqui a pena de morte aos LGBT também se dá através da fé e da religião, que, na teoria, não têm poder de interferência em nossa constituição, porém, na prática, têm sistematicamente regido a tão profanada Lei dos Homens, que deveria ser isenta e igualitária.

É inegável que a conquista da cidadania tem avançado para a população LGBT; um mérito que não é apenas da militância e do movimento organizado, mas também da nossa sociedade como um todo, que tem se mostrado comprometida contra o preconceito e todas as formas de discriminação.

Porém, como toda ação gera uma reação, observamos o recrudescimento dos setores conservadores. Eis que vemos no Brasil o surgimento de uma mobilização capaz de unir fundamentalistas e extremistas de direita, religiosos e nazifascistas, que numa voz uníssona bradam contra os direitos humanos de milhões de cidadãs e cidadãos.

Antes, nossos algozes agiam na calada da noite, nos violentando em becos à surdina, como se, nos atingindo individualmente, pudessem nos exterminar pelas beiradas. Hoje, saem às ruas, fazem abaixo-assinados, manifestam-se na Avenida Paulista e marcham sobre a Esplanada dos Ministérios para barrar a garantia de nossa dignidade.

Trata-se de uma versão brasileira do movimento norte-americano “God Hates Fags”. A diferença é que, aqui, os que creem que “Deus odeia as bichas” são muitos, têm forte representatividade no Congresso, recebem a atenção da imprensa e, infelizmente, ganham adeptos.

Na história da humanidade, o nome de Deus não somente foi usado diversas vezes em vão, como serviu para respaldar a violência e morte de diversas minorias. A escravidão dos negros africanos, a condenação dos judeus e a perseguição às mulheres no período de “caça às bruxas” são exemplos disso. Como herança cultural, ainda temos estabelecido o patriarcalismo e a soberania de brancos como regras informais de nossa civilização ocidental contemporânea. A Inquisição ainda está viva no que diz respeito à homofobia, mas não só a ela.

Em tempos modernos, os inquisidores apenas trocaram a tocha e a fogueira pela lâmpada fluorescente, mas a condenação ainda ocorre em praça pública, consentida e assistida por muitos.

Há quinze anos, a primeira Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu 2 mil pessoas para dizer que “somos muitos, estamos em todas as profissões”. Nos dias de hoje, os mais de 3 milhões que nos acompanham, multiplicados pelas mais de 200 Paradas que ocorrem em todo o território nacional, reafirmam isso e vão além.

Estamos em todas as profissões, famílias, lares, escolas, esportes e igrejas. Sim, mesmo sem você saber, sempre existiu e sempre existirá um LGBT ao seu lado, a quem você jamais gostaria de saber ter sido vítima de bullying, humilhação, agressão moral, violência física, sexual ou homicídio. Incluir e amparar indiscriminadamente todas as pessoas não seria o principio básico da religião?

Se “quem ama conhece a Deus”, qual seria a determinação religiosa para aqueles que professam o ódio e a ira? Não é condenável levantar falsos testemunhos sobre a compreensão da complexidade humana, assim como sobre toda e qualquer ação que visa proporcionar o reconhecimento da existência de uma população comum? Se para os crédulos, Deus não faz acepção de pessoas e todos são iguais perante a Ele, porque insistem em nos manter à margem?

Respeitosamente, nos apropriamos da frase “Amai-vos uns aos outros” para pedir fim à guerra travada entre religião e direitos humanos, financiada pelas brasileiras e brasileiros que dão voz aos fundamentalistas e extremistas que ocupam as cadeiras do Parlamento e espaço nas mídias. Nós, os perseguidos, apesar de já estarmos calejados de oferecer a outra face, usamos de suas crenças para dizer: “Perdoai-vos. Eles não sabem o que fazem”.

APOGLBT

Roteiros SAMPA POR UM DIA




CULTURA&LAZER



A capital paulistana, além de centro financeiro e populacional do país, é também referência em cultura, diversidade de atrativos e prestação de serviços. Descubra as múltiplas opções de lazer, entretenimento, artes, passeios, ambientes, atrativos e atrações que a metrópole pode te oferecer.

A RRTUR tem se dedicado a disponibilizar alguns roteiros que contemplem tais diferenciais encontrados na capital, atendendo os desejos e demandas de cada segmento.

Assim, caso tenha interesse por qualquer programação da cidade de São Paulo, conte conosco para sua comodidade e com o prazer em atendê-lo em suas expectativas.



ROTEIROS E DESTINOS


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quinta-feira, maio 26, 2011

Habilitação Manicomial - II Parte

Refrescando-lhes a memória do que venho denunciando sobre o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação no estado de São Paulo, gostaria de lembrá-los de um sistema comprovadamente falho, revelando adiante sua incoerência e incompatibilidade com os propósitos que o justifica.

Além das digitais não registradas, dos profissionais penalizados com um trabalho insalubre, da psicóloga que aplica uma avaliação deturpada do que seria o exame do psicotécnico e do pseudo-educador que, a todo momento, faz piadas desapropriadas, a experiência manicomial em pleitear a CNH vem me proporcionado outros fatos descarados de desrespeito à qualquer cidadão.

Bom, seguindo os tramites que me são exigidos fui fazer a prova teórica sobre o conteúdo explorado nas aulas do Centro de Formação de Condutores. Isso 15 dias depois de ter o certificado das aulas, pois por conta do feriado de Tiradentes, a delegada da 95ª CIRETRAN anunciou que a prova seria postergada. Durante a aplicação do teste um dos aplicadores nos orienta a fazer tudo exatamente da forma que dispõe às normas, entregando os documentos num determinado lugar, entrar em contato com a auto-escola e aguardar o resultado, que só assim, dentro de 15 e 20 dias o resultado ficaria pronto.

Aprovado, iniciei minhas aulas de moto, e mais uma vez as benditas digitais não passam por conta do sistema incapaz de funcionar todos os dias. De um lado do balcão, pessoas acomodadas ao desrespeito do Estado e, do outro, pessoas adaptadas a não resistirem/defrontarem um sistema injusto. Tentei falar com a delegada, mas a moça que me atendeu disse que ela não havia chegado e que eu teria que aguardar se ela poderia me atender, dependendo qual fosse minha solicitação.

Pensando nessa novela que eu não tinha a menor vontade de assistir e mal vislumbro seu epílogo, iniciei um processo judicial em resposta a todo esse desrespeito. Se o Estado responsabiliza e penaliza os homens e mulheres inadimplentes e omissos às suas responsabilidades, o mesmo também deve estar dentro das leis que o constitui e o confere legitimidade.

E sobre a incoerência e incompatibilidade de propósitos que justificaram sua criação, o novo sistema da CNH, devido sua má gestão e ineficiência, abre espaço e oportunidade para fraudes! Veja só, se um solicitante de CNH não consegue registrar suas digitais, é obrigado ir até a auto-escola em outra data só para passar o dedo sem que faça novamente a aula prática. Bom, se isso ocorre, como podemos notar se alguém apenas registra suas digitais e não faz as aulas? Explica-me senhor governador!

domingo, maio 22, 2011

Orações para Bobby

Caro leitor, você conhece o PL 122? Caso não saiba o que venha ser tal projeto de lei, por gentileza, pesquise e se informe. E não limite-se ao que irei escrever-lhe ou à que digam a você.


Trata-se de um projeto de lei polêmico que vem sendo discutido desde 2006, hoje tramitando no Senado, em que se defrontam, sobretudo, políticos a favor da causa LGBT e fundamentalistas (conservadores que enxergam suas crenças como verdade absoluta e irrefutável) da bancada evangélica. O projeto de lei propõe alterações/mudanças na CLT, no código penal e na lei que define os crimes por preconceito.

O PL é de autoria da deputada federal Iara Bernardi, da região de Sorocaba, professora e militante da educação. Ao seu lado estão os militantes da causa de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) que, caso o PLC seja aprovado, serão contemplados com novas medidas para redução da violência em que seus pares são as principais vítimas.

Em oposição estão os fundamentalistas que se referem ao PL como “Mordaça Gay”, a qual, para eles, pune o livre pensamento. Alguns religiosos e a bancada evangélica do Senado/Congresso defendem que a proposição fere a liberdade de crença e de expressão.

Como assim? Qual a é concepção de crença? Única, absoluta e verdadeira para todos? O que entendem por liberdade de expressão? Propor a punição para prática, indução e incitação à discriminação e ao preconceito e buscar banir qualquer tipo de ação violenta, vexatória, constrangedora e intimidadora é por uma focinheira nos homens e mulheres de bem? Não entendi. Militam pelo direito de afirmar suas verdades fundamentadas numa crença opressora, normativa e hegemônica sem qualquer preocupação com seus ouvintes? Convém mencionar que tais verdades fundamentalistas, sobre sexualidade e constituição familiar, corroboram com uma cultura e justificativa de violência, haja vista os discursos de grupos extremistas/neonazistas.

Igrejas evangélicas organizaram a Marcha para Jesus em Curitiba, que reuniu aproximadamente 50 mil pessoas, organizando um abaixo-assinado contra o PL 122 e o material de combate a homofobia do MEC, promovendo um retrocesso do governo que opta por evitar polêmicas diante de uma conjuntura de escândalos. Eu, sinceramente, gostaria que as igrejas explicassem o sentido dessas bandeiras. Por que insistem em ir à contramão de seu maior objetivo, o bem social.

O título desse artigo é o mesmo de um livro e um filme que, baseados em fatos reais, contam a história de um jovem que se suicida ao final da década de 70 por não ser aceito por sua família após assumir sua orientação sexual. Revelam alguns dos conflitos e experiências que acontecem numa família, tão protegida e tutelada pela religião.

Sua mãe, uma cristã, segue sua crença sem qualquer questionamento ou reflexão e o submete a terapias e ritos religiosos com o objetivo de curá-lo. Depois que seu filho salta de uma ponte, Mary Griffith descobre seu diário e começa a entender sua realidade sem que deixe de lado sua crença, compreendendo que contestá-la também é prova para que a mesma seja verdadeira. Em 6 de dezembro de 1995 Mary testemunhou ao congresso americano e hoje é militante da causa LGBT, construindo um legado de trabalho a favor dos direitos humanos.

"Aos olhos de Deus, gentileza e amor é o que importa. Antes de fazer eco de amém em sua casa ou local de adoração, pense e lembre-se: Uma criança está a ouvir".

- Mary Griffith


quarta-feira, maio 18, 2011

Ser Homem

Estimado senhor cujo tempo lhe confere riqueza, seu tesouro é da maior valia que alguém pode carregar, é como aquele do baú dos sonhos infantis e até dos carvalhos que refinam a bebida bruta. Arrisco dizer-lhe o que para mim é preciso para ser homem.

Para ser homem é preciso ser homem e ser mulher, perceber quão belo e grandioso é o universo feminino, assim como o masculino. Notar que as construções de gênero, mera produções culturais, nada mais são que traços de um desenho do que a ser o ser humano, sem qualquer distinção de poder, soberania e papel. Uma mulher, por exemplo, pode ser mãe e ser pai, ser beata ou vadia, caseira ou mundana, ser dona de casa ou líder de uma nação, que ainda assim, não deixará de ser mulher. Mulher que tem desejos, anseios, medos e sonhos. O homem pode ter a voz grossa ou tê-la mais fina, pode ser rude ou sensível, pode ser pai e mãe, pode gostar de homem e pode gostar de mulher que ainda assim será homem. Homem com desejos, anseios, medos e sonhos.

Os filósofos são sábios e, certamente, o maior ensinamento que podem nos deixar é a inspiração em pensar. Pensar não apenas nas palavras, mas em tudo aquilo que refletimos numa mesa de bar ou com a cabeça debruçada no travesseiro e objetivamos em códigos que, provavelmente somente nós, seres humanos, podemos decodificar.

Assim, tão importante quanto ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro, é pensar neles. Pensar nos meninos e meninas que nasceram nos ventres próximos, mas também naqueles que tiveram como progenitora uma desconhecida, para que todos tenham o carinho de alguém que distante ou próximo sempre revele um entusiasmo no contato com o outro. E confesso ser admirável ver o senhor ao telefone seja com seus filhos ou com os amigos.

É preciso pensar nos ipês, nas paineiras, nas amoreiras, nas jabuticabeiras, nos limoeiros, e também nas orquídeas, nas bromélias, nas gramíneas, nos cupinzeiros, em tudo como um ciclo, do qual sem qualquer elemento não sobreviva. E não só isso, é preciso regá-los como o senhor faz às tardes no pôr do sol.

Escrever um livro é fácil e não precisa ser impresso, encadernado e catalogado. Um livro precisa de palavras, de pensamento, de um estalar em sonhos de insônia, que com sorte sejam registrados num papel. Mas mesmo que não sejam, não importa, imaginemos quantas obras devam existir na memória dos filósofos, historiadores, psicólogos, pedagogos, etc. Basta escrever, pois como diria Darcy Ribeiro, escrever é ter coisas a dizer.

sexta-feira, maio 13, 2011

As semelhanças de John V. BRIGGS (1978 – EUA) e Jair BOLSONARO (2011 – Brasil)*

John V. BRIGGS (1978 – EUA) e Jair M. BOLSONARO (2011 – Brasil)   


*Texto originalmente publicado em O Liberal, Americana.


John V. Briggs, nascido em 1930 nos EUA, mudou-se aos cinco anos para Califórnia, onde trilhou sua carreira política. Foi militar, servindo de 1947 a 1951 às Forças Aéreas Americana e posteriormente na reserva naval dos EUA

Enquanto político trabalhou pela regulamentação da construção, pelo desenvolvimento da energia nuclear e maior aplicação da pena de morte. Uma de suas polêmicas proposições foi a que proibia a uso de cigarros em ambientes públicos fechados.

Em 1978 Briggs lança a Proposition 6: A qual exigia a demissão de professores de escolas públicas que fossem considerados homossexuais ou militante da causa gay. Seus argumentos eram que tais educadores poderiam influenciar e incentivar crianças a serem homossexuais.

Jair Messias Bolsonaro nasceu em 1955 em Campinas, São Paulo, onde cursou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército e em seguida a Academia Militar das Agulhas Negras (Resende – RJ). Hoje, além de capitão da reserva do Exército é deputado federal pelo Partido Progressista – PP.

No relatório de sua atividade legislativa, encontram-se proposições relacionadas às normas de trânsito, punições, proteção e defesa do consumidor e outras tantas, sobretudo e majoritariamente, em benefício de militares. Defende a maioridade penal aos 16 anos e o controle de natalidade e é contra o desarmamento do “cidadão de bem” como classifica.

Bolsonaro distribuiu, nesta terça (10), cerca de 50 mil panfletos em escolas e residências do Rio de Janeiro sobre o plano nacional que defende os direitos dos homossexuais, denominado por ele de 'Plano Nacional da Vergonha'. Ele fala sobre um suposto 'kit gay', material didático contra homofobia preparado pelo Ministério da Educação e entregue as escolas públicas. O deputado acredita que tal material influenciará na orientação sexual dos jovens que receberem o kit.

33 anos depois das declarações homofóbicas de John V. Briggs, Jair M. Bolsonaro as repete e solicita a convocação do Ministro da Educação, Fernando Haddad, para prestar esclarecimentos sobre a elaboração de material de combate à homofobia a ser entregue nas escolas de ensino fundamental e ele mesmo distribui uma cartilha embasada em suas verdades.

Frente às repostas de militantes, educadores e outros políticos a proposição americana foi derrotada. Espero que os militantes e educadores brasileiros consigam mostrar que esse material é fruto de várias discussões e demandas da própria comunidade civil, a exemplo, nas conferências nacionais de Educação e LGBT, que abordaram os temas diversidade sexual e educação com crianças, adolescentes, educadores, militantes e autoridades representativas nos municípios, nos estados e, finalmente em nível nacional, em Brasília. Revelar, ainda, que esse plano é fruto de anos de trabalho e discussão de inúmeros coletivos, não apenas uma cartilha carregada de valores pessoais e preconceituosos de um político de extrema-direita.

O Liberal


segunda-feira, maio 02, 2011

Judas Juda-a-a, Judas GaGa!

Não haveria personagem melhor que ele. Sim, a música é sua. E é para você que também escrevo.

Você que reza as dez ave-marias, que ajoelha diante de seus irmãos fiéis, que ora e proclama suas verdades em cima do altar e que recebe o corpo de cristo. Você que traz o crucifixo no bolso, o terço na bolsa e a bíblia junto ao paletó.

Você que unido a tudo isso corrompe sistemas, compra diplomas, suborna pessoas, abusa do poder, coloca seus compinchas em cargos públicos e abusa da ignorância dos mais humildes.

Você que está todos os sábados na missa ou no culto dos domingos e despeja comentários preconceituosos, tira proveito de situações que te favoreçam, desrespeita seus pais ou filhos em detrimento às suas crenças e pouco se importa com alguém faminto que bate a porta do seu carro para pedir algo no semáforo.

E se me responder que ele está à cima do peso ou que parece estar bem alimentado e interessado em outra coisa, eu te digo: faminto por todas as necessidades que a sociedade constrói e o deixa não apenas de barriga cheia, mas satisfeito de sonhos e farto de esperança.

De que vale toda sua fé se ela confere benefícios apenas a você e aos que te rodeiam. Não há lógica! E diante disso tudo, o traidor é você! Projeta-se em Judas que verá a traição de suas próprias crenças.

Não adianta entregar roupas usadas e mantimentos a instituições de caridade, pagar o dízimo, escutar horas e horas de palavras santas se na sua própria casa você se valer de uma cultura perversa de opressão a ponto de ver seu filho desnutrido de auto-estima e ainda reproduzir interpretações alheias sem qualquer reflexão.

Pouco importa se você planta uma árvore, mas destrói os sonhos de tantas pessoas sobrepondo seus interesses, construindo seu império edificado ou de poder. Qual seria o sentido de ajudar crianças com câncer se você nem nota que as pessoas próximas a você estão adoecendo por um trabalho injusto e insalubre. E as suas crenças? Seus ideais? Quantas vezes serão negados pelo medo de se ver como traidor?

O título desse artigo é um trecho da polêmica música “Judas” da cantora Lady Gaga. A estréia do clipe está programada para essa semana.

quinta-feira, abril 28, 2011

Ao prefeito Diego De Nadai

Ao saber que nosso prefeito tinha uma página virtual hesitei em fazer-lhe uma visita por conta de um medo de indigestão. E posso dizer que eu estava certo, mas as informações não são apenas indigestas, elas causam ânsia. Ânsia por vomitar todas as respostas e palavras de revolta em ver a demagogia e marketing barato de políticos como o que aponto nesse artigo.

Começa pela biografia, sua “trajetória de vida pessoal e política”. “Um jovem expoente da política de São Paulo”, eleito prefeito com “x” votos, escolhido um dos vereadores em 2000 aos 20 anos e candidato a deputado federal. Como assim? “Expoente” por isso? Quais foram suas causas, as bandeiras pelas quais militou, os coletivos que representou e as obras que realizou?

Não depois de empossado num cargo público, é claro, pois estas estão bem divulgadas nas inúmeras placas pela cidade. A propósito, senhor prefeito, gostaria que investisse o dinheiro público em outras obras, pois chega ser incoerente sua ação. Se eu, um cidadão, estou transitando por uma praça que foi remodelada, não preciso que me digam que ali foi feita uma obra, eu vejo! E aqui vai uma orientação, “revitalização” não pega bem, não há nada morto ou sem vida para políticos ilustres e oportunistas darem novamente vida.

Voltando ao site, “Gente é pra brilhar... Gente é pra ser feliz”. Que gente? Explica-me isso. O que quer dizer com essa frase de impacto? Qual é o conceito de felicidade que o senhor e seu publicitário têm de felicidade? Olha, objetivamente, para alguém brilhar precisa primeiro ter assegurado: alimentação, saúde, educação e lazer. Será que todos os munícipes de Americana estão contemplados com esses direitos para brilharem? Ou o senhor acredita que todos podem pagar um marketeiro que cuide da sua imagem?

Na página tem também as fotos do prefeito. As legendas são transcrições perfeitas das típicas ações dos políticos de Platão. Um jóia na unidade móvel entregue aos bombeiros, um aperto de mão com um empresário, um passeio e sorrisos em meio a criançada. Isso é bonito, dá credibilidade. Não importa que tudo isso é fruto dos altos investimentos, vulgo impostos, que a população confia nas mãos dos governantes.

Caro prefeito, não fale de si, deixe que façam por você. A verdade sempre vem à tona. Falarão bem, falarão mal, infelizmente é assim. Mas você, um gestor público, não pode jamais usar de benefícios oriundos de seu status para construir ou difundir uma imagem pessoal.

quarta-feira, abril 27, 2011

Postagem número CEM: Mais um sistema falho

São em momentos como o que acabei de vivenciar que busco encontrar toda calma e paciência que minha sã saúde mental pode me proporcionar. Mais um sistema falho? Será que minhas expectativas e demandas são incompatíveis com os serviços que esta sociedade tem a ofertar?

Sete dias atrás uma moça me liga enquanto eu dormia e me oferece uma assinatura grátis da CATHO. Eu disse que não tinha interesse, mas isso não foi o bastante pra ela. Assim como grande parte das meninas e meninos do telemarketing ela deve ser orientada a por goela abaixo todas as informações repassadas em seu treinamento até que, por cansaço, ela atinja seus objetivos: Efetivar uma venda, uma assinatura, uma benevolência.

E não haveria outra palavra que melhor explicasse sua ação que “benevolência”. Eles oferecem tudo de graça! Você só não pode esquecer-se de cancelar a assinatura sete dias depois, afinal, você tem muito tempo para desfrutar dos serviços e lembrar que tem de cancelar - Deus criou o mundo em sete dias!

Mas vai que você não seja tão ágil e rápido quanto à figura celestial e por um deslize esqueça de cancelar seu "benefício", mantenha a calma, pois já era, meu querido! Nem uma hora a mais! Seu tempo é finito. E não há como reverter isso. O sistema não aceita. E não adianta não usar ou nem ter usufruído dos serviços. Você deve pagar, por que o sistema é assim. Não questione, é assim! Entendeu?

Prejuízo: Pagar pelo plano que você pagou, o mais curto é 15 % do salário mínimo! E não fique inconformado, o atendente diz que a empresa não quer prejudicar o cliente. Imagine se ele não afirmasse isso?!

Saldo: Refletir sobre as estruturas responsáveis por sistemas tão falhos.

sexta-feira, abril 01, 2011

Habilitação manicomial

No início de janeiro iniciei meu processo de habilitação mental, digo, de conquista da CNH – Carteira Nacional de Habilitação. Deve ser uma nova política pública de saúde mental aplicada pelo governo do estado de São Paulo.

Como nós sabemos, haja vista nosso cenário local, as autoridades são e estão sempre preocupadas com fraudes, ilegalidades, corrupção no espaço público. Aliás, isso é um orgulho nacional, a atenção com o bem estar do coletivo. E assim devem pensar nossos representantes que propuseram a reforma no sistema do DETRAN - Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo. Não querem mais a compra de habilitação, mais uma prática do oportunismo barato de indivíduos que até podem acreditar no significado de cidadania, mas não o colocam em prática.

Pois bem, qualquer pessoa com o mínimo de censo crítico teria inúmeras interpretações sobre tal contexto de mais burocratização do serviço público. Porque convenhamos, preocupação com fraudes e falsificação de documentos e cartas de habilitação não é! Só seria isso se fosse uma política para inglês ver. Aumentaram o número de aulas, os procedimentos de avaliação, a centralidade de serviços e, obviamente, os custos. Ah! Esses, sim, elevaram-se em progressão geométrica. Para onde são canalizados, não sei. Para toda essa burocracia criada? Será?

Ah, não sejamos ingênuos. Os procedimentos de avaliação são severos, didáticos, aplicados por profissionais bem capacitados. Afinal, para dirigir é preciso estar habilitado aos moldes do que se coloca como saúde mental e psíquica.

Você enfrenta filas consideráveis, sistema ineficiente que funciona quando suas limitações não o impede de trabalhar e trabalhadores a beira de um surto por carregar as respostas dadas a todo esse desrespeito ao cidadão. Mas fique tranqüilo, o professor do CFC – Centro de Formação de Condutores te orientará a rezar. Já falo dele, por que antes você passa pelo psicotécnico.

Para ir até o psicotécnico, certifique-se como anda sua saúde mental e vá até um daqueles médicos que te dopam de anti-depressivos e tudo está bem. A medicalização da vida é tão confortável quanto a prática manicomial mesmo. Dane-se qualquer reflexão sobre nossas ações. Fica a dica. Será preciso!

Lá você encontrará uma profissional que fará comentários preconceituosos sobre sua origem, lerá suas respostas em vós alta para todos da sala, questionará sua inteligência e capacidade psíquica de modo que todos escutem. Fique calmo se você for tímido e tiver uma formação superior, pois pra você ela possivelmente dirá que é determinado, certeiro e independente, mas se não tiver um curso superior ela pode se sentir mais a vontade em questionar suas respostas. Bom, ela deve ser muito experiente e pós-graduada no assunto, porque só com um dos testes ela já te fala e faz tudo isso.

O próximo passo é esperar mais um tempo e iniciar as “aulas” no CFC. Aí você encontrará aquele professor que te falei. Ele é divertido, começa com as piadas desde os primeiros minutos de apontamentos. O humor é sua ferramenta para didática da aula. Admiro os professores que possuem esse dom. Novamente você será testado. Tudo bem que cada um carregue seus preconceitos para si, mas um educador não pode, em hipótese alguma, retroceder anos de lutas de movimentos que militam pelo respeito e dignidade. O tal educador faz comentários homofóbicos, revelando sua intolerância e incapacidade de lidar com o diferente. São inúmeras as piadas e brincadeiras sobre mulheres e associadas às relações de poder e gênero. Ele, assim como quase toda a turma, deve acreditar que isso seja apenas brincadeiras insignificantes.

Eu, sinceramente, gostaria que ele e os demais soubessem dos inúmeros casos de jovens adolescentes que se suicidam. Que a cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil. Foram 250 mortes registradas só em 2010. Mais de 1 milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica no país, segundo o IBGE. 68% das vítimas sofrem lesões corporais, 57% são agredidas todos os dias e 70% dos agressores são seus maridos/companheiros/ex-companheiros (Sec. Políticas Públicas para as mulheres). De acordo com o Instituto Sangari foram quase 40 mil mortes registradas em dez anos. Isso significa mais de dez mortes por dia. Queria ainda que soubessem que são essas piadas e brincadeiras insignificantes que constroem e afirmam essa cultura machista perversa a toda humanidade.

Habilitar-me para dirigir tem sido uma experiência manicomial.

quarta-feira, março 30, 2011

Beco dos Barris: Apresentação

Beco dos Barris: Apresentação: "O Beco dos Barris é um espaço idealizado pelo historiador e pesquisador Antoninho Rapassi. É um dos ambientes do Americana Hotel, fundado em..."

quarta-feira, março 16, 2011

Adolescência colorida

A Adolescência é uma fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta, conhecida também como fase de moratória. Ela se caracteriza por alterações biológicas, mentais e sociais - e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o faça a assumir os deveres e papéis sociais do adulto.

Cabe mencionar que os adolescentes, enquanto sujeitos sociais, vivem num sistema social, econômico e político que molda e determina suas práticas e vivência. E no sistema capitalista, esse adolescente que está em fase de preparo para a adultez, vive uma fase que está associada a produção e ao trabalho.

Daí, observa-se dois olhares para esse sujeito social, pois quando falamos em opnião e direito em expressá-la, tratamos dos significados e concepções dos adultos: Um que o enxerga o adolescente como alguém em desenvolvimento, sem voz e em transição e outro que o nega pela condição de moratória, que o permite uma liberdade nas ações e desejos que na adultez é reprimida.

E se esses jovens não têm o direito à fala, à expressão de sua opnião e espaço para tanto, sua participação social será diferente das realizadas pelos adultos. E uma das possibilidades que pode-se notar é a formação de tribos como intervensão de contra-cultura, de direito à expressão. O artigo 16 do ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE dita que o direito a liberdade compreende a expressão e a opnião.

A tribo dos coloridos, por exemplo, composta principalmente por adolescentes torna-se registro e alvo das concepções e significados que a sociedade traz junto aos seus valores, cultura e padrões normativos. Ela está além de um estilo de roupa, música, linguagem e atitudes, revela uma ideologia, um pensar social e um comportamento político e social.

As tribos urbanas são constituídas por agrupamentos que têm como objetivo principal estabelecer redes de amigos com base em interesses comuns. Essas agregações apresentam uma conformidade de pensamentos, gostos, hábitos e maneiras de se vestir. Na história conhecemos várias delas, como os hippies, os punks, os góticos, as patricinhas, os clubbers, os casuais, os skatistas, e assim por diante, até chegarmos em tribos mais recentes como as dos emos e dos coloridos.

Os adolescentes que antes eram os conhecidos como “EMOS” hoje estão na moda dos coloridos, ou seja, as roupas pretas, os acessórios e as franjas, foram trocados por calças coloridas, blusas com estampas divertidas e cabelos repicados. Bandas como Restart e Cine foram os maiores influenciadores dessa nova tribo.

São várias as críticas que se pode ouvir sobre a nova tribo, contudo, é estranho pensar que num país como o Brasil, onde a diversidade e a pluralidade cultural, de crenças e de raças é tão evidente, ainda haja tantos discursos focados a um padrão do que é moda, estilo ou expressão.

Cardoza (2003) coloca que mesmo não sendo exclusividade da juventude, o fenômeno das tribos se perpetua mais entre os jovens, e isso é facilmente notado ao pensarmos nos precursores de todas as tribos supracitadas, ainda assim, sempre haverá novas tribos, independente da fase etária.

É através das tribos que o adolescente pode exercer sua participação social. A sociedade possui um leque de opções de agrupamentos e intervenções em sua cultura e configuração. E a juventude apresenta suas especificidades em organizar-se, por exemplo, politicamente. A expressão de suas subjetividades e opiniões nem sempre são através de protestos institucionalizados, como greves e passeatas, no entanto, não significa que as práticas não sejam políticas e que as tribos sejam passivas.

Os coloridos trazem junto aos seus hábitos e estilo um conjunto de significados relacionados, dentre outras coisas, ao direito sobre o corpo e a sexualidade, mesmo que inconsciente. A partir dos hábitos, por exemplo, podemos notar o compromisso com alguns direitos, como: a) De viver a sexualidade sem medo, vergonha, culpa, falsas crenças e outros impedimentos à livre expressão dos desejos; b) Direito de viver a sua sexualidade independente do estado civil, idade ou condição física; c) A escolher o/a parceiros/a sexual sem discriminação, e com liberdade e autonomia para expressar sua orientação sexual se assim desejar e d) De viver a sexualidade livre de violência, descriminação e coerção; e com o respeito pleno pela independência corporal do/a outro/a.

Assim, considera-se que a participação social pode ocorrer sob várias formas e perspectivas e que os adolescentes e jovens apresentam suas especificidades na expressão de suas concepções e participação junto à comunidade, haja vista o contexto e sociedade nos quais estão inseridos.

Os aprendizados dessa disciplina foram importantes para a compreensão da estrutura social da qual fazemos parte, das relações de poder e do papel que o adolescente apresenta na sociedade. Foi relevante para a constatação de que os problemas psico-sociais não são exclusivos dos adolescentes, mas sim de toda uma conjuntura social.



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS



CARDOZA, Isabela Fonseca. A sociedade pós-moderna e o fenômeno das tribos urbanas. Lato & Sensu, Belém, v. 4, n. 1, p. 3-5, out, 2003.



ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 1. Política para juventude. Proteção a infância. São Paulo, 2007.



domingo, fevereiro 20, 2011

Luxúria

(Isabella Taviani)
Dobro os joelhos
Quando você, me pega
Me amassa, me quebra
Me usa demais...
Perco as rédeas
Quando você
Demora, devora, implora
E sempre por mais...
Eu sou navalha
Cortando na carne
Eu sou a boca
Que a língua invade
Sou o desejo
Maldito e bendito
Profano e covarde...
Desfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto
Me dobro, nem lhe cobro
Rapaz!
Ordene, não peça
Muito me interessa
A sua potência
Seu calibre, seu gás...
Sou o encaixe
O lacre violado
E tantas pernas
Por todos os lados
Eu sou o preço
Cobrado e bem pago
Eu sou
Um pecado capital...
Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre...




quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Inconstante

"Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo". (Mario Quintana)
"O tempo às vezes é alheio as nossas vontades, mas tudo que é bom só dura o bastante pra se tornar inesquecível". (Charlie Brow Jr.)


terça-feira, fevereiro 15, 2011

Aos imorais

Os imorais
se chocam
por nós
Por nosso brilho
Nosso estilo
Nossos lençóis...
Mas um dia, eu sei
A casa cai
A moral da história
Vai estar sempre na glória
De fazermos o que nos satisfaz.

[Chistiaan Oyens e Zélia Duncan]

domingo, fevereiro 13, 2011

Hoje em dia

Não há nada como os dias em moratória. É como gestar uma semente que talvez nunca tenha sido fecunda. É crer numa dolorosa esperança de que haverá boas novas mudando o percurso do trem, chegando a todos os pequenos castelos vistos debruçado num travesseiro. E o caminho não parece fácil, pois esperar por certezas que podem nunca chegar é como estar num porto sem saber que navio embarcar.  

terça-feira, janeiro 18, 2011

Primeira Transexual a participar do BBB é eliminada no primeiro paredão

Hoje, a primeira transexual a participar do BBB foi eliminada no primeiro paredão. Pra mim foi muito marcante o que fora mostrado dela num trecho cuja “personagem” principal era ela, e ainda, quando passou a charge/animação do Maurício. Primeiro, ao olhar desatento o retrato de alguém em conflito com a sexualidade e a manifestação dela, depois o motivo de chacota pela falta de uma definição confortável e próxima a normalidade imposta à sexualidade.


Nos trechos mostrado pela globo ela falava demasiadamente em sexo e isso não é a toa, não foi uma edição proposital, pode ser a realidade mesmo. Ela foi prostituta, nasceu com um corpo diferente da identidade que se reconhece e está exposta de uma forma que nunca esteve em sua vida. O que esperavam os telespectadores? Alguém semelhante à modelo gostosa, ao jornalista gay, ao gostosão futura capa da Gmagazine ou à simpática “trissexual”, como se classifica a simpática menina loira do norte?

Há muito a se mudar em nossa cultura e olhar.