Aula palestra ministrada dia 12/02/2022 na formação de Diversidade e Inclusão Social em Direitos Humanos | ODS – Agenda 2030 vinculada à Pró-reitora de Extensão da USP
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O impacto ainda está sendo estimado, visto que a pandemia e suas consequências seguem em curso. Já sabemos que a paralisação do turismo e a recessão econômica têm ocasionado o fechamento de empresas, perda de empregos, aumento do trabalho informal e, por consequência, a precarização da vida. Tudo isso tende a agravar problemas sociais no Brasil, o que impactará na saúde das pessoas e destinos. E o turismo é, antes de qualquer coisa, um fenômeno social, ou seja, os fluxos de pessoas dependem de variáveis culturais, comportamentais e expectativas pessoais. A percepção de segurança, a priorização de necessidades e a busca por resignação ou superação de uma pandemia deve influenciar nas dinâmicas do setor. Nesse sentido, uma tendência é o desenvolvimento local, processos de enraizamento e valorização da arte, cultura e ambiente em resposta a atual conjuntura de destruição, descontinuidade e desconstrução, que não são apenas em consequência da pandemia, mas também da economia e da política. Não há segredo, a recuperação após termos uma segurança sanitária será gradual, conforme recuperemos o poder de consumo e o bem-estar social. E, para mim, o melhor caminho é se associar e positivar a cultura e o ambiente.
O turismo de férias vai, em algum momento, voltar. Mesmo que demore alguns anos, as pessoas vão viajar. Em relação ao setor MICE (congressos, conferências, seminários etc.), alguns podem mudar, outros não. Talvez em um primeiro momento, em resposta à recessão econômica, seja uma alternativa vantajosa financeiramente, contudo, não me parece que seja uma tendência a qualquer público e setor. Ter um desempenho bom e eficiente não necessariamente supera as expectativas do público e o fideliza, promove networking, etc. Talvez algumas palestras e negociações se adequem bem a esse modelo, visto que a mediação é limitada e muitos querem apenas prestigiar ou consumir. Já as conferências, feiras e eventos que pressupõem uma maior interação e apelos semióticos, bem como diferentes linguagens não devem se limitar ao ambiente virtual, pois restringe a experiência de seu público. Além disso, alguns rituais não são meras formalidades, eles agregam valor como, por exemplo, os coquetéis e os serviços agregados que possibilitam experiências.
Antes da pandemia notávamos que os hotéis estavam lançando marcas e serviços com apelo para o lifestyle, para o compartilhamento, para a reunião das pessoas. Já as empresas aéreas estavam colocando cada vez mais gente dentro de um avião. Isso pode mudar a curto prazo, mas acredito que com o tempo isso seja retomado. O mais difícil será recuperar as condições sociais para tanto. Somos seres socializáveis, sempre nos deslocamos e atualmente um conjunto de imagens potencializam esses desejos. A socialização, a experimentação e as viagens estão num período de latência. E ao que tudo indica, dentre os diversos estilos de vida, um aspecto parece ser comum entre todos: congregar a conexão, o ambiente e aquilo que realmente importa, nossos afetos. Além disso, cada empresa terá o desafio de definir seu posicionamento, considerando a sensibilidade aos preços, perfil de seus consumidores, dentre outros fatores que já conhecemos.
Estamos numa fase de constantes mudanças e agravamento de crises econômicas, ambientais e sociais. Possivelmente - e assim desejo - o turismo seja um horizonte construtivo diante de tanta destruição, de modo a estabelecer pontes entre essas dimensões. Para tanto, a iniciativa privada, o Estado e a sociedade civil precisam estar integrados neste projeto. Em meio a tantas perdas e lutos, precisamos germinar o novo, acreditar na potência da vida e pessoas, valorizando-as na prática, cotidianamente, no desenvolvimento de uma atividade ética e justa, visto que o turismo une sonhos, trabalho, tempo e ambiente. E a pandemia nos convida a olhar para tudo isso.
*Texto enviado como contribuição à Agência de Notícias Brasil-Árabe
Fábio Ortolano é docente no Senac
Aclimação, bacharel em Turismo, mestre em Mudança Social e Participação
Política e doutor em Psicologia Social.
Essas posições sociais são construídas num processo histórico de preconceitos e estigmas. No Brasil, infelizmente, carregamos uma herança colonialista, escravagista, segregacionista, classista, patriarcal e moralista. Tudo isso produz lugares de subalternidade aos negros, mulheres, pobres, pessoas com deficiência, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e adeptos às religiões perseguidas.
Desde a segunda metade do século XX, uma série de movimentos sociais, dentre eles o feminista, o negro, o LGBTI e o de pessoas com deficiência, têm pautado os direitos redistributivos, que compreendem os direitos políticos, civis e sociais; bem como os direitos de reconhecimento, reivindicando novas legitimidades e reconhecimento moral.
Para tanto, todos esses movimentos expressam em comum uma tríade resistência estética, linguística e moral. Fazendo de seus corpos potência de transformação e construção de suas identidades; usando a linguagem como forma de ressignificação, fazendo das palavras um meio para revisar estigmas e contrapondo-se ao machismo, ao classismo, ao racismo, ao homotransfobia e ao capacitismo, de modo que saibamos conviver com as diferenças e respeitando a alteridade do outro. O multiculturalismo precisa que pessoas e instituições (escola, família, governo, empresas) sejam corresponsáveis pela afirmação desse valor comum.
Diversidade & Inclusão nas
Organizações é uma pauta emergente na atualidade. Costumo dizer que, assim como
no final do século XIX e início do século XX, as questões ambientais foram
incorporadas nas culturas organizacionais das empresas mundo afora, desde a
década passada as políticas de reconhecimento e identidades têm ganhado força
tanto nas mídias quanto nas diversas instituições sociais, sejam as escolas,
igrejas, poderes instituídos, família e empresas.![]() |
Semana Senac de Inclusão e Diversidade 2018 |
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| © AFP 2018/ Nelson Almeida |
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| Imagem do clipe Perfeição, Legião Urbana. |
| Lago no Parque N. M. da Gruta. Fotografia: Fábio Ortolano, 2016. |
Em junho de 2015, a maioria dos 5.570 municípios brasileiros aprovou
seus Planos Municipais de Educação (PME) ao final do prazo previsto no
Plano Nacional de Educação (PNE). O processo de construção dos planos
inclui diversas etapas, desde a formação de comissões de trabalho para
elaboração de um diagnóstico local até a construção de uma lei por meio
das casas legislativas, a qual é sancionada pelo poder executivo. Convém
apontar que os documentos de abrangência municipal precisam estar
alinhados às políticas de educação dos respectivos Estados e,
certamente, aos parâmetros curriculares nacionais. Ocorre que nesse ano,
os planos municipais de educação foram alvos de pressão política
exercida por setores conservadores e fundamentalistas da sociedade
civil. Líderes religiosos, políticos das bancadas cristãs e seus pares
defensores do fundamentalismo, corrente conservadora que enfatiza a
interpretação literal da Bíblia para princípios básicos e obediência;
pressionaram as comissões de trabalho a excluírem o termo “gênero” dos
planos de educação, justificando serem contra uma “ideologia de gênero”,
como assim nomearam. Na realidade, um contrassenso semântico e
discursivo, a ser explicado no presente ensaio.![]() |
| Fotografia. Joviniano Netto, 2015. |
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| Imagem do clipe "Frescáh no Círio" Acervo virtual, autor desconhecido. |